Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram nesta semana um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, nas investigações que apuram a tentativa de venda da instituição privada ao Banco de Brasília, o BRB.

As solicitações foram apresentadas por PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL, que apontam possíveis crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governo local em operações envolvendo o banco público do Distrito Federal.

Segundo as legendas, houve atuação considerada temerária do Executivo, com risco concreto ao erário, além de violação de princípios básicos da administração pública e de normas de governança.

Entre os pontos levantados nos pedidos estão a compra de títulos classificados como de baixa qualidade, a aquisição de ativos de origem questionável, a criação de dívidas fora do orçamento e negociações conduzidas sem transparência com o banqueiro Daniel Vorcaro.

As siglas também mencionam suspeita de influência indevida do governador em decisões internas do BRB, banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.

Ibaneis Rocha nega qualquer irregularidade e afirmou à imprensa, nesta sexta-feira, que jamais tratou das negociações entre BRB e Banco Master diretamente com Daniel Vorcaro.

Segundo o governador, todas as tratativas foram conduzidas exclusivamente por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, demitido após a deflagração de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Ibaneis reconheceu encontros sociais com Vorcaro, incluindo um almoço na residência do banqueiro, mas disse que o evento foi organizado por um amigo em comum e não envolveu assuntos institucionais.

O governador declarou ainda que o único erro cometido foi confiar excessivamente na condução do então presidente do BRB, reiterando que não participou de decisões relacionadas às operações investigadas.

As investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal apontam que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada.

O caso levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro e abriu uma série de apurações administrativas, cíveis e criminais.

De acordo com estimativas divulgadas pela imprensa, o prejuízo potencial ao BRB pode chegar a R$ 4 bilhões, valor que ainda está sob análise dos órgãos de controle.

Relatos indicam que o Banco Central determinou ao BRB a constituição de provisões de pelo menos R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis perdas, embora a autoridade monetária ainda não tenha confirmado oficialmente os números.

Ex-executivos do Banco Master e do BRB foram intimados a prestar depoimento no início do ano, e as apurações apontam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou algumas vezes com Ibaneis sobre as negociações envolvendo as duas instituições financeiras.

O conteúdo do depoimento veio a público após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, que acompanha o caso no âmbito da Corte.

As investigações também indicam que, ao longo de 2025, houve tentativa de aquisição de participação relevante no Banco Master pelo BRB, com apoio do governo do Distrito Federal.

A iniciativa acabou barrada pelo Banco Central, enquanto a Polícia Federal apura se o banco público adquiriu carteiras de crédito de alto risco sem análise adequada.

Além das investigações oficiais, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente revisam as operações, mas ainda não divulgaram conclusões definitivas sobre o caso.

O pedido de impeachment agora aguarda análise da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que decidirá sobre a admissibilidade e eventual abertura do processo.

O caso amplia a crise política no governo local.

Foto: José Cruz/Agência Brasil


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