A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, afirmou na noite desta segunda-feira que a Carta de Princípios dos Direitos Humanos vem sendo “rifada” por grupos que concentram poder em determinados países. Segundo ela, conceitos como democracia e soberania estariam sendo distorcidos para legitimar a imposição da vontade dos mais fortes sobre os mais frágeis no cenário internacional.

“Nós estamos num momento da história do mundo em que aquele acordo da nossa carta de princípios dos direitos humanos foi, eu vou usar a palavra popular, rifado por grupos que hoje detêm a hegemonia no poder em determinados países”, declarou a ministra. Para Macaé, há uma tentativa deliberada de romper consensos históricos firmados após grandes conflitos globais.

“Acham que vamos esquecer tudo o que a gente combinou e pactuou até aqui, da necessidade de respeito à soberania, à autodeterminação dos povos, e vão impor a lei do mais forte”, acrescentou, ao alertar para o enfraquecimento do multilateralismo e das instituições internacionais.

As declarações foram feitas durante evento realizado na Casa do Povo, localizada no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista. O espaço cultural foi construído pela comunidade judaica após a Segunda Guerra Mundial e inaugurado em 1953 como memorial às vítimas do nazismo. Ao longo das décadas, também se consolidou como local de resistência cultural e política, inclusive durante a ditadura militar brasileira.

Antes do evento, Macaé Evaristo visitou instituições da comunidade judaica sediadas no Bom Retiro, como o Memorial do Holocausto e a entidade beneficente Ten Yad. A ministra também participou de uma caminhada pela região, marcada, segundo relatos, por episódios recorrentes de violações de direitos humanos.

“Esse território é marcado por tantas violências, despejo das pessoas da Favela do Moinho, despejo do Teatro de Container, despejo de populações vulneráveis, ataque a pessoas em situação de rua”, afirmou o diretor da Casa do Povo, Benjamin Seroussi, ao contextualizar a fala da ministra.

Para ele, a memória histórica deve servir como base para enfrentar injustiças atuais. “É a nossa história judaica que nos traz até o momento presente. Não podemos discutir o antissemitismo sem discutir outras formas de opressões ainda mais agudas, infelizmente, no território onde vivemos”, concluiu.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


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