A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado cancelou a sessão prevista para esta terça-feira, 3, após a ausência dos governadores do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, que haviam sido convidados a depor. Cláudio Castro e Ibaneis Rocha não compareceram ao colegiado, e a oitiva acabou sendo suspensa, já que o comparecimento, na condição de convidados, não era obrigatório.
Diante do esvaziamento da sessão, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou que pretende pautar a convocação formal do governador do Distrito Federal. Diferentemente do convite, a convocação torna obrigatória a presença do depoente, sob pena de crime de responsabilidade, o que pode resultar na abertura de um pedido de impeachment.
Ibaneis havia informado previamente que enviaria o secretário executivo de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, para representá-lo na comissão. No entanto, quem acabou comparecendo foi o número dois da pasta, Alexandre Patury, o que foi interpretado por parlamentares como insuficiente diante da relevância do tema tratado pela CPI.
Em ofício encaminhado ao colegiado, o governador do Distrito Federal justificou sua decisão. “Diante disso, indico o Secretário de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, para representar este Ente Federativo e prestar as informações relativas ao modelo de segurança pública e às ações de enfrentamento ao crime organizado no Distrito Federal”, afirmou no documento.
Já Cláudio Castro alegou “compromisso internacional de agenda oficial” para justificar sua ausência. A explicação foi registrada pela presidência da CPI, mas também gerou críticas de senadores, que esperavam ouvir diretamente os governadores sobre políticas estaduais de segurança e o combate a organizações criminosas.
A ausência de Ibaneis ocorre em meio a um momento de maior exposição política do governador. Citado no escândalo envolvendo o Banco Master, ele tem mantido uma agenda pública mais discreta nos últimos dias. Na segunda-feira, 2, por exemplo, não compareceu à abertura do Ano do Judiciário no Supremo Tribunal Federal, embora tenha negado que a falta tenha relação com eventual constrangimento.
Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que conversou “algumas vezes” com Ibaneis sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), relatando inclusive encontros pessoais. O governador nega que tenha tratado do negócio e afirma não ter interferido em qualquer negociação.
No Congresso Nacional, Ibaneis também enfrenta pressão pela possibilidade de instalação de uma CPI específica para investigar o caso do Banco Master. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou requerimento na Câmara para apurar o pagamento de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Master entre janeiro e junho de 2025, valor que inclui R$ 6,7 bilhões por carteiras consideradas falsas e mais R$ 5,5 bilhões a título de prêmio. O pedido já reúne 201 assinaturas, acima do mínimo exigido.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

