O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o mundo estaria “sedento” por uma virada à direita menos ideológica e mais tradicional, com foco em valores culturais e em modelos políticos que, segundo ele, já demonstraram resultados. A declaração foi feita em meio à repercussão internacional de entrevistas e manifestações recentes de integrantes do campo conservador brasileiro no exterior.

A avaliação de Eduardo ocorreu após a entrevista concedida pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a um canal de televisão francês. Na ocasião, o parlamentar criticou autoridades brasileiras e estrangeiras e acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, no contexto de decisões judiciais recentes.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo destacou que a entrevista ganhou repercussão em diferentes regiões do mundo, sendo veiculada em idiomas como hebraico, árabe, francês, inglês e espanhol. Para ele, essa visibilidade demonstra que há um ambiente internacional favorável a uma reorganização política à direita, descrita como racional, lógica e menos marcada por disputas ideológicas, com valorização de tradições nacionais.

Durante a entrevista à imprensa francesa, Flávio Bolsonaro fez críticas diretas ao presidente da França, Emmanuel Macron, a quem classificou como incompetente. O senador afirmou que o Brasil não viveria uma democracia plena e sustentou que Jair Bolsonaro teria sido condenado por adversários políticos. Também disse que o país precisaria ser salvo por propostas modernas e por uma mudança no comando político.

Flávio citou ainda o escândalo envolvendo desvios no Instituto Nacional do Seguro Social e tentou associar o episódio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o senador, tanto o Brasil quanto a França precisariam de novos chefes de Estado no próximo ciclo eleitoral, mencionando a eleição francesa de 2027, da qual Macron não poderá participar.

A apresentadora Christine Kelly, responsável pela condução da entrevista, apresentou Flávio como favorito para a eleição presidencial de 2026, embora tenha reconhecido que ele aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Questionado sobre decisões recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Flávio minimizou recuos diplomáticos e afirmou que o Brasil ocupa posição estratégica na geopolítica mundial.

Nos bastidores, Eduardo Bolsonaro tem cobrado maior engajamento de apoiadores e lideranças da direita na pré-candidatura do irmão. Ele e outros filhos de Jair Bolsonaro realizaram viagens internacionais no início deste ano com o objetivo de consolidar Flávio como liderança alinhada ao conservadorismo global e evitar a fragmentação de candidaturas da oposição em 2026.

Na semana passada, Eduardo afirmou que ele e o irmão estão sendo recebidos com respeito por líderes das Américas e do Oriente Médio, em articulações que teriam como objetivo retirar o Brasil, segundo ele, de um rumo de empobrecimento sob o atual governo. O ex-parlamentar também criticou integrantes do mesmo campo político que não aderiram à estratégia do grupo nos últimos meses.

Mesmo preso, Jair Bolsonaro segue sendo apontado como principal referência do campo conservador. No Partido Liberal, o presidente Valdemar Costa Neto defende que decisões eleitorais estratégicas continuem passando pelo aval do ex-presidente, considerado elemento central de convergência da direita brasileira.

Foto: Bruno Spada/Agência Câmara


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