O deputado federal Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro e vice-líder da legenda na Câmara dos Deputados, apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República para apurar a conduta do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto durante o período em que esteve à frente da autoridade monetária. A iniciativa ocorre no contexto das investigações relacionadas ao caso Banco Master e às suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.
Na representação encaminhada à PGR, o parlamentar afirma que pode ter ocorrido “omissão dolosa” por parte de Campos Neto na fiscalização do sistema bancário. Segundo Lindbergh, a medida busca assegurar uma apuração independente e completa sobre os fatos que envolvem a atuação do Banco Central durante o período em que as operações suspeitas do Banco Master teriam ocorrido.
O deputado argumenta que decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas adotadas no período podem ter contribuído para que as irregularidades atribuídas ao banco se desenvolvessem sem a devida intervenção do órgão regulador. Daniel Vorcaro, apontado como principal responsável pelas operações investigadas, foi novamente preso pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Em manifestação publicada nas redes sociais, Lindbergh explicou que a notícia-crime apresentada à Procuradoria-Geral da República busca investigar se houve omissão dolosa na fiscalização bancária durante a gestão de Campos Neto. O parlamentar também pede a apuração de indícios de que normas editadas durante esse período possam ter contribuído para facilitar as fraudes atribuídas ao Banco Master.
A representação também menciona o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza, afastado de suas funções após surgirem suspeitas de ligação com Daniel Vorcaro. Souza e outro servidor da autoridade monetária, Belline Santana, foram afastados por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso no tribunal.
A decisão judicial foi tomada após investigações apontarem suspeitas de que os dois servidores prestavam serviços de consultoria informal ao banqueiro, revisando documentos e recebendo vantagens indevidas. Ambos já haviam deixado seus cargos anteriormente por decisão administrativa do próprio Banco Central, no âmbito de investigação interna relacionada ao caso.
Atualmente, Roberto Campos Neto ocupa o cargo de vice-chairman e chefe global de políticas públicas do banco digital Nubank. Procurada pela reportagem, a instituição informou que não irá comentar a acusação apresentada pelo deputado Lindbergh Farias. A assessoria do ex-presidente do Banco Central não foi localizada até o momento.
Nos bastidores do governo federal, integrantes do Palácio do Planalto avaliam a possibilidade de associar politicamente o caso Banco Master ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro e a integrantes de sua gestão. Campos Neto foi indicado por Bolsonaro para presidir o Banco Central em 2019, cargo que ocupou até janeiro de 2025.
Nas redes sociais, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a operação policial teria exposto irregularidades ocorridas durante a gestão de Campos Neto. Segundo a ministra, as investigações indicam que servidores do Banco Central recebiam recursos de Daniel Vorcaro para impedir ações de fiscalização contra a instituição financeira.
Durante o período em que Campos Neto presidiu o Banco Central, a autoridade monetária recebeu alertas sobre o ritmo acelerado de expansão do Banco Master. O Fundo Garantidor de Crédito, responsável pelo sistema nacional de garantia de depósitos, enviou cartas de advertência ao regulador, enquanto executivos de grandes bancos brasileiros também manifestaram preocupação com a situação da instituição financeira.
Foto Lula Marques/Agência Brasil

