O Partido Social Democrático decidiu acelerar o processo interno para definir quem será seu candidato à Presidência da República nas eleições de dois mil e vinte e seis. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, trabalha agora com a meta de anunciar o nome escolhido até o dia trinta e um de março, antecipando o cronograma inicialmente divulgado pela direção partidária.

O PSD tem atualmente três governadores colocados como pré-candidatos ao Palácio do Planalto. São eles Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Ratinho Júnior, do Paraná. A escolha entre os três nomes vinha sendo tratada internamente com prazo até quinze de abril, mas a direção da legenda decidiu encurtar o calendário diante do cenário político que começa a se consolidar no campo da direita.

A mudança de estratégia ocorre após a divulgação de pesquisas de intenção de voto que indicam crescimento do senador Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levantamento divulgado no sábado aponta Lula com quarenta e seis por cento das intenções de voto em um eventual segundo turno contra quarenta e três por cento de Flávio, cenário considerado de empate técnico dentro da margem de erro.

Nas simulações de primeiro turno, Lula aparece com índices entre trinta e oito por cento e trinta e nove por cento, enquanto Flávio Bolsonaro registra variação entre trinta e dois por cento e trinta e quatro por cento. Os pré-candidatos do PSD aparecem bem atrás nessas projeções. Ratinho Júnior tem cerca de sete por cento das intenções de voto, Ronaldo Caiado soma quatro por cento e Eduardo Leite aparece com três por cento.

Dentro da legenda, o diagnóstico é de que a definição antecipada pode permitir que o escolhido tenha mais tempo para consolidar sua candidatura e buscar alianças partidárias. Dirigentes do PSD afirmam que o prazo anteriormente divulgado era considerado apenas um limite máximo para a decisão, e não necessariamente a data efetiva da escolha.

A movimentação ocorre também em meio a pressões de aliados e de lideranças internas do partido. O governador Eduardo Leite tem defendido publicamente que a decisão seja tomada o quanto antes. Segundo ele, o calendário eleitoral impõe limites que tornam necessário acelerar o processo.

Leite precisa deixar o cargo de governador até o dia quatro de abril caso decida disputar as eleições de dois mil e vinte e seis. Esse prazo é estabelecido pela legislação eleitoral para que ocupantes de cargos executivos possam concorrer a outros postos no pleito nacional. Caso não seja escolhido como candidato à Presidência, uma das alternativas discutidas por aliados do governador é a disputa por uma vaga no Senado.

A mesma situação se aplica aos governadores Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. Ambos também teriam até o dia quatro de abril para deixar os cargos se optarem por concorrer em dois mil e vinte e seis. Nos bastidores, o Senado aparece como uma possibilidade alternativa para os dois governadores caso não sejam escolhidos como representantes do PSD na corrida presidencial.

Enquanto a decisão não é tomada, os três pré-candidatos seguem participando de agendas políticas organizadas pela legenda. Na última sexta-feira, eles estiveram em São Paulo em um evento promovido por Kassab para discutir propostas e diretrizes do partido para a próxima disputa presidencial.

Além das reuniões internas, os governadores participaram de atividades políticas em cidades do interior paulista. Durante esses eventos, o PSD promoveu novas filiações de parlamentares federais e buscou reforçar a presença da legenda no cenário nacional.

A direção do partido avalia que a definição do candidato poderá facilitar a abertura de negociações com outras siglas interessadas em compor alianças para as eleições presidenciais. Mesmo assim, integrantes da cúpula do PSD afirmam que os próprios pré-candidatos já têm liberdade para iniciar conversas com outras forças políticas enquanto o processo interno ainda não é concluído.

Nos bastidores da política nacional, dirigentes de partidos como União Brasil e Progressistas observam com cautela a estratégia do PSD de lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto. Ainda assim, lideranças da legenda acreditam que a antecipação da decisão pode fortalecer o partido nas articulações que antecedem o período eleitoral.

Foto: Reprodução / Redes Sociais / Ratinho Jr


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