O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que é necessária uma investigação rigorosa sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e defendeu punição a todos os responsáveis pelas irregularidades apontadas nas apurações conduzidas por órgãos federais. As declarações foram dadas durante entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na estreia do programa Na Mesa com Datena, exibido na noite de terça-feira, dia 10, pela TV Brasil.

Segundo Alckmin, as suspeitas de irregularidades envolvendo o sistema financeiro não surgiram recentemente e podem estar ligadas a práticas que se estendem ao longo de vários anos. Para ele, os fatos que vieram à tona reforçam a necessidade de apuração detalhada e responsabilização de todos os envolvidos. O vice-presidente afirmou que as investigações indicam inclusive possíveis envolvimentos de pessoas ligadas ao Banco Central, órgão responsável pela supervisão e fiscalização do sistema financeiro nacional.

Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás. Agora está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central, que é o órgão responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento do sistema financeiro, que tinham envolvimentos. Já ficou claríssimo isso. Tem que ser feita uma apuração rigorosa, punição rigorosa”, afirmou Alckmin durante a entrevista.

O vice-presidente também ressaltou que o governo federal não interfere nas investigações e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a atuação livre das instituições responsáveis pela apuração dos fatos. De acordo com ele, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário têm plena autonomia para conduzir as investigações relacionadas ao caso.

Foi muito claro o posicionamento do presidente Lula. Ninguém no governo limita investigação. Nenhuma. É investigação rigorosa. A Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público, o Poder Judiciário. É apurar e fazer justiça. É isso que se deseja. E, de outro lado, responsabilizar e aprimorar os instrumentos de controle”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin também destacou que, além da punição dos responsáveis, o episódio reforça a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização e controle do sistema financeiro brasileiro. Para ele, o fortalecimento institucional é fundamental para garantir maior transparência e segurança nas operações financeiras.

Esse é um processo permanente de você melhorar as instituições, aprimorar as instituições. Na democracia tem que ter transparência, tem que ter clareza”, afirmou.

O caso do Banco Master voltou ao centro do debate público após a Polícia Federal prender novamente o financista Daniel Vorcaro, dono da instituição, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão ocorreu na semana passada e foi autorizada após a análise de novas provas reunidas pela investigação.

Vorcaro já havia sido preso anteriormente no âmbito da mesma operação, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica. A nova ordem de prisão foi baseada em mensagens encontradas no celular do empresário, aparelho que havia sido apreendido durante a primeira fase da operação.

De acordo com investigadores, as mensagens indicam que o banqueiro teria feito ameaças a jornalistas e outras pessoas que teriam contrariado seus interesses. As informações passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A Operação Compliance Zero investiga um complexo esquema de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo Banco Central e por órgãos de investigação, as irregularidades teriam provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. O fundo é responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

Durante a entrevista concedida ao programa, Alckmin também comentou sobre sua saída do comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ele confirmou que deixará o cargo no dia 2 de abril para cumprir a legislação eleitoral brasileira.

Pelas regras vigentes, ministros que pretendem disputar cargos eletivos precisam se afastar das funções executivas até 6 meses antes do primeiro turno das eleições. Em 2026, o pleito nacional está marcado para o dia 4 de outubro, o que estabelece o dia 4 de abril como prazo limite para a desincompatibilização.

Alckmin explicou que, apesar de deixar o ministério, continuará exercendo normalmente a função de vice-presidente da República. A legislação eleitoral não exige afastamento do cargo de vice-presidente para eventual participação em disputas eleitorais.

“Vice-presidente não precisa deixar a vice-presidência. Você continua na vice-presidência. Agora, ministério, para qualquer cargo que você for disputar, você tem que se afastar. Então, no dia 2 de abril, cumprindo rigorosamente a lei, nós vamos nos afastar”, afirmou.

A decisão de deixar o ministério já havia sido antecipada na semana anterior durante entrevista coletiva concedida por Alckmin na sede do ministério, em Brasília, quando foram apresentados dados recentes da balança comercial brasileira.

Durante a entrevista à TV Brasil, o vice-presidente também comentou o cenário econômico internacional diante da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Na avaliação dele, todos os países acabam sendo impactados por tensões geopolíticas, mas o Brasil tende a sofrer efeitos menores devido à diversidade de seus parceiros comerciais.

Segundo Alckmin, os principais mercados compradores das exportações brasileiras estão localizados em regiões que não estão diretamente envolvidas no conflito, como China, União Europeia, Argentina e os próprios Estados Unidos.

Mesmo assim, ele alertou que o aumento do preço internacional do petróleo já começa a provocar impactos indiretos na economia global. O encarecimento da commodity tende a pressionar o valor dos combustíveis, como gasolina e diesel.

O Brasil acaba sendo menos prejudicado porque nossos grandes parceiros comerciais são China, União Europeia, Argentina e Estados Unidos. Mas é claro que já encareceu o petróleo, e isso afeta gasolina e diesel”, afirmou.

Ao comentar o cenário político, Alckmin destacou que as disputas eleitorais em diversas partes do mundo têm sido marcadas por forte polarização. Ainda assim, ele afirmou acreditar que o desempenho recente da economia brasileira pode influenciar positivamente a percepção do eleitorado.

O vice-presidente citou indicadores como a queda do desemprego e o controle da inflação como fatores que podem contribuir para um ambiente econômico mais favorável. Segundo ele, o país registra atualmente o menor nível de desemprego da série histórica e uma taxa de inflação próxima de 4,2%.

Ele também ressaltou que políticas de valorização do salário mínimo têm contribuído para ampliar a renda da população, especialmente entre aposentados e pensionistas. De acordo com Alckmin, cerca de 60% dos beneficiários da Previdência Social recebem atualmente um salário mínimo.

Ao final da entrevista, o vice-presidente também comentou o debate sobre segurança pública no país. Ele mencionou a aprovação recente da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados, que agora está em análise no Senado.

A proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública e busca ampliar a integração entre as diferentes forças de segurança do país. Segundo Alckmin, uma das mudanças importantes previstas no texto é o fortalecimento das guardas municipais.

De acordo com o vice-presidente, a ampliação das atribuições das polícias municipais pode ajudar a reforçar o combate à criminalidade por meio de ações mais próximas da população local.

Ele também defendeu o endurecimento das penas para crimes ligados ao crime organizado e afirmou que o combate a essas estruturas exige foco na prisão de lideranças criminosas que comandam atividades ilegais em diferentes regiões do país.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


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