Brasília será homenageada com o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural durante um encontro internacional realizado entre quarta-feira, dia 11, e sexta-feira, dia 13, na capital federal. O evento reúne representantes de diversas cidades ibero-americanas para discutir estratégias conjuntas voltadas à preservação do patrimônio cultural material e imaterial, além de debater propostas de inovação em políticas públicas relacionadas à proteção desses bens históricos.
A reunião corresponde ao encontro do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas. As atividades ocorrem no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, com início previsto para as 14 horas. Durante os três dias de programação, gestores e especialistas participam de debates, apresentações e intercâmbio de experiências sobre práticas de gestão e preservação do patrimônio cultural.
Entre os principais objetivos do encontro está o fortalecimento da cooperação entre as capitais ibero-americanas e a troca de experiências sobre políticas públicas voltadas à valorização da memória histórica urbana. A expectativa é que ao final das atividades seja elaborada uma Carta de Compromisso com propostas comuns para a preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural nas cidades participantes.
De acordo com o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto, o reconhecimento amplia a projeção internacional de Brasília. Segundo ele, a capital brasileira passa a ganhar ainda mais destaque como espaço de diálogo, diplomacia e valorização da memória histórica.
Brasília já possui reconhecimento internacional desde 1987, quando recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O novo reconhecimento reforça a importância da cidade no cenário cultural internacional e destaca seu papel na preservação de um dos conjuntos urbanísticos mais relevantes do século 20.
As discussões realizadas em Brasília dão continuidade a debates iniciados em 2025 durante encontro realizado em Lima, no Peru. A intenção dos organizadores é aprofundar reflexões sobre os desafios enfrentados pelas cidades na proteção do patrimônio cultural e ampliar a cooperação entre os governos locais.
A União de Cidades Capitais Ibero-Americanas reúne 29 cidades de 24 países. No Brasil, além de Brasília, participam da rede as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O objetivo da organização é promover o intercâmbio de experiências, a cooperação institucional e o compartilhamento de soluções para desafios comuns enfrentados pelas grandes capitais.
Somadas, as cidades integrantes da rede representam cerca de 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português. A organização atua como plataforma para troca de conhecimentos e para a disseminação de boas práticas relacionadas à gestão urbana e cultural.
A pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília, afirma que a capital federal possui características culturais únicas que ajudam a explicar seu reconhecimento internacional. Segundo ela, a cidade se destaca não apenas pela arquitetura modernista, mas também pelos processos culturais que se desenvolveram ao longo das décadas.
Para a pesquisadora, Brasília reúne influências culturais provenientes de diversas regiões do país, formando uma paisagem cultural diversa e dinâmica. Ela destaca que a cidade expressa uma mistura de tradições e experiências que atravessam diferentes gerações e contribuem para sua identidade singular.
Angelina também observa que a capital tem papel simbólico na história política do Brasil. A cidade esteve associada a momentos importantes da vida democrática do país, incluindo a promulgação da Constituição de 1988 e a mobilização da sociedade após os ataques às sedes dos Três Poderes ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
Apesar desse reconhecimento, a pesquisadora ressalta que a preservação do patrimônio cultural da capital ainda enfrenta desafios. Segundo ela, durante os primeiros anos após a inauguração da cidade, especialmente no período da ditadura militar entre 1964 e 1985, não houve legislação adequada para garantir a proteção do patrimônio urbanístico.
Esse cenário começou a mudar a partir de 1987, com o reconhecimento internacional da cidade como patrimônio cultural. A partir desse momento, a memória urbana passou a ser considerada elemento fundamental na preservação da capital.
Nos últimos anos, Brasília também aprovou o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília, conhecido como PPCUB. O instrumento busca estabelecer regras para proteger a estrutura urbanística original da cidade. Ainda assim, especialistas avaliam que são necessários mais investimentos e políticas públicas para garantir a manutenção adequada do patrimônio histórico e arquitetônico da capital brasileira.
Foto: Arquivo/Agência Brasil

