O lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República evidenciou um cenário de fragmentação interna no Partido Social Democrático, com lideranças da sigla evitando demonstrar apoio público ao projeto nacional do governador goiano. O episódio revelou dificuldades para consolidar uma candidatura competitiva dentro de um partido marcado por diferentes alinhamentos políticos no país.
O evento de lançamento, realizado em São Paulo, teve baixa adesão de lideranças de fora do estado e praticamente nenhuma repercussão nas redes sociais dos principais quadros do partido. Entre os 13 pré-candidatos do PSD aos governos estaduais, nenhum fez menção ao anúncio, assim como a maioria dos governadores da legenda, o que reforçou a percepção de isolamento político de Caiado dentro da própria sigla.
A ausência de manifestações públicas ocorre em meio a uma divisão interna que atravessa o PSD. Parte dos integrantes mantém proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto outros setores demonstram alinhamento com o campo da direita, incluindo nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao governador mineiro Romeu Zema. Esse cenário dificulta a construção de uma candidatura unificada para a disputa presidencial.
Dos 7 governadores do partido, incluindo o próprio Caiado, ao menos 4 não se manifestaram sobre o lançamento da pré-candidatura. O único que fez uma publicação favorável foi Ratinho Junior, que destacou a experiência administrativa de Caiado e sua atuação em áreas como segurança e educação. Ainda assim, aliados indicam que o governador paranaense avalia a possibilidade de adotar uma estratégia de palanque duplo, mantendo também apoio a candidaturas da direita em seu estado.
Outro nome relevante do partido, Eduardo Leite, que disputava a indicação para a candidatura presidencial, manifestou descontentamento com a decisão. Em vídeo divulgado nas redes, ele afirmou que a escolha do PSD tende a manter o ambiente de polarização política no país, contrariando a proposta inicial de construir uma alternativa de centro.
Entre os governadores, há diferentes estratégias regionais. Raquel Lyra, por exemplo, tem buscado aproximação com Lula e recebeu autorização da direção partidária para adotar posição neutra na disputa nacional. Já Fábio Mitidieri declarou apoio à reeleição do presidente, enquanto Mateus Simões tem alinhamento com Zema e deve atuar em favor de sua candidatura.
A fragmentação também se reflete entre pré-candidatos estaduais do PSD. O senador Omar Aziz, que pretende disputar o governo do Amazonas, mantém proximidade com Lula, enquanto o ex-prefeito Eduardo Paes articula uma candidatura ao governo fluminense com apoio do PT. Em outros estados, candidatos evitam se posicionar para preservar alianças locais e ampliar suas bases eleitorais.
A liderança do partido no Congresso também demonstra alinhamento com o governo federal. O deputado Antonio Brito e a senadora Eliziane Gama mantêm proximidade com Lula, o que reforça a dificuldade de consolidar uma candidatura presidencial independente dentro da legenda.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que a candidatura de Caiado terá espaço formal dentro do partido, mas dependerá do desempenho nas pesquisas para ganhar tração política. Caso não apresente crescimento, a tendência é que lideranças regionais priorizem alianças locais e nacionais mais competitivas, reduzindo o engajamento com o projeto presidencial.
O próprio Caiado reconheceu a necessidade de ampliar o diálogo interno e afirmou que buscará apoio de correligionários nos próximos meses. Ele também justificou a baixa presença de lideranças no evento de lançamento, alegando que a convocação ocorreu de forma rápida, dificultando a participação de políticos de outros estados.
Apesar das dificuldades, o governador aposta na construção de uma alternativa à polarização política, defendendo um projeto de centro para o país. No entanto, a falta de unidade interna no PSD indica que o principal desafio de sua pré-candidatura será, antes de tudo, conquistar apoio dentro da própria legenda e superar resistências que podem comprometer sua viabilidade eleitoral.
Foto: Divulgação/ GEG

