O Partido Liberal oficializou, na noite desta terça-feira, em Brasília, a filiação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, mas ainda não definiu qual será o papel do empresário nas eleições ao governo de Minas Gerais. A legenda avalia diferentes cenários, que incluem candidatura própria, apoio ao atual governador Mateus Simões, do Novo, ou composição com o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos.
Durante o evento, Roscoe afirmou estar à disposição do partido para disputar qualquer cargo que lhe seja atribuído. A declaração reforça o clima de indefinição interna, já que o PL ainda busca a melhor estratégia para um estado considerado central na disputa nacional.
O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, destacou o crescimento do partido e sinalizou que a decisão sobre Minas será tomada com base no fortalecimento da legenda. Ele afirmou que o PL pretende ampliar sua presença política no estado e confirmou o nome de Domingos Sávio como candidato ao Senado.
O ato de filiação reuniu lideranças importantes do partido, como Rogério Marinho, Altineu Côrtes, Zé Vitor, Sóstenes Cavalcante e Lafayette de Andrada, que também oficializou sua entrada no PL. A ausência do deputado Nikolas Ferreira foi justificada por questões familiares.
Nos discursos, dirigentes destacaram o perfil técnico de Roscoe e o potencial de crescimento do partido em Minas Gerais. Rogério Marinho ressaltou que a legenda vê na nova filiação uma oportunidade de ampliar sua bancada e fortalecer a atuação política no estado.
Nos bastidores, o empresário é apontado como uma alternativa para manter o controle do palanque local, seja como candidato ao governo ou como integrante de uma chapa. A possibilidade de compor com Cleitinho é considerada viável, especialmente diante do bom desempenho do senador em pesquisas eleitorais.
Ainda assim, a hipótese de aliança não é consenso dentro do partido. Parte das lideranças defende a candidatura própria como forma de garantir autonomia política e evitar dependência de projetos externos. Minas Gerais é visto como um dos principais colégios eleitorais do país, o que aumenta o peso das decisões estratégicas.
Sem trajetória eleitoral, Roscoe tem sido tratado como um nome de fora da política tradicional, o que, na avaliação interna, pode ampliar o alcance do partido junto ao setor produtivo e a eleitores que não possuem vínculos partidários consolidados. O perfil empresarial também é visto como fator de equilíbrio entre diferentes correntes internas do PL.
Dirigentes avaliam que a entrada de um outsider reduz desgastes entre alas do partido, que hoje divergem sobre o melhor caminho eleitoral. Nesse contexto, Roscoe surge como uma figura capaz de unificar interesses e evitar disputas internas mais intensas.
Por outro lado, a decisão de não lançar candidatura própria pode limitar a influência do partido no estado e comprometer sua estratégia nacional. A direção da legenda tenta equilibrar esses fatores antes de tomar uma decisão definitiva.
O senador Cleitinho afirmou que ainda não foi procurado formalmente, mas disse estar aberto a conversas. A definição sobre o papel de Roscoe deve ocorrer nas próximas semanas,
medida que avancem as negociações políticas e o partido ajuste sua estratégia para a disputa eleitoral em Minas Gerais.
Foto: Sebastião Jacinto Júnior

