O Brasil passou a disputar reconhecimento internacional no setor de recursos hídricos com a indicação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico ao prêmio de Agência Pública de Água do Ano, concedido pelo Global Water Awards. A honraria destaca iniciativas que promovem avanços em água, esgoto, tecnologia e dessalinização, com foco na sustentabilidade dos recursos hídricos.
Segundo o superintendente adjunto de Regulação de Saneamento Básico da ANA, Alexandre Anderáos, a indicação reflete o fortalecimento institucional do Brasil na área. Ele avalia que o país vem consolidando normas, estruturas e mecanismos de governança mais robustos, capazes de ampliar o acesso aos serviços de saneamento com maior equidade social e territorial.
Entre as ações recentes, a ANA avançou na criação de normas de referência que abrangem os quatro componentes do saneamento básico: limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais. Essas diretrizes buscam padronizar práticas e orientar a atuação de estados e municípios.
Outro destaque foi a regulamentação voltada à redução progressiva das perdas de água, considerada estratégica para a segurança hídrica. A norma estabelece parâmetros para planos de gestão e padroniza indicadores que servem de base para fiscalização por entidades reguladoras locais. De acordo com Anderáos, reduzir perdas significa otimizar o uso da água já disponível, evitando desperdícios e diminuindo a pressão sobre mananciais.
A agência também desenvolveu normas sobre o reuso não potável de água proveniente de efluentes tratados, incentivando o uso sustentável do recurso. A medida permite, por exemplo, que a água utilizada em atividades domésticas seja reaproveitada em irrigação, limpeza urbana e recarga de aquíferos, contribuindo para uma gestão mais eficiente e cíclica.
Outras iniciativas incluem a definição de metas progressivas para universalização dos serviços de água e esgoto e a criação de regras voltadas à governança das entidades reguladoras infranacionais. Segundo o gestor, essas medidas são fundamentais em um país com estrutura federativa complexa, pois promovem maior coordenação, previsibilidade e segurança regulatória.
Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico indicam que, em dois mil e vinte e quatro, o abastecimento de água alcançou oitenta e quatro vírgula um por cento da população, enquanto a cobertura de esgoto chegou a sessenta e dois vírgula três por cento. No mesmo período, os investimentos somaram quatorze bilhões e cinquenta e nove milhões de reais em água e treze bilhões e sessenta e oito milhões de reais em esgotamento sanitário.
Para a ANA, esses números demonstram que o setor ainda está em fase de expansão, e que o avanço regulatório é essencial para transformar investimentos em obras e ampliação efetiva do atendimento. A indicação ao prêmio reforça esse processo ao destacar o papel da agência na redução de incertezas e na resolução de entraves históricos.
Além da entidade brasileira, concorrem ao prêmio organizações como a Korea Water Resources Corporation, da Coreia do Sul, o Orange County Water District, dos Estados Unidos, a Sharakat, da Arábia Saudita, e a SPAN, da Malásia. O resultado final será definido por votação de membros da comunidade internacional do setor e está previsto para ser divulgado em dezenove de maio.
A participação do Brasil na premiação reforça a visibilidade internacional das políticas públicas voltadas à água e ao saneamento, em um momento em que o país busca avançar na universalização dos serviços e na gestão sustentável dos recursos naturais.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

