A ex-ministra Marina Silva afirmou que a definição da segunda vaga da esquerda ao Senado por São Paulo permanece em aberto e deve ser construída por meio de diálogo entre os partidos da aliança. Segundo ela, o processo precisa ocorrer de forma equilibrada, com articulação liderada pelo ministro Fernando Haddad, apontado como candidato ao governo paulista.

Marina destacou que colocou seu nome à disposição dentro da federação formada por Rede e PSOL, defendendo que o grupo tenha direito de disputar a segunda vaga ao Senado. Na avaliação da ex-ministra, já existe uma composição consolidada que contempla outras forças políticas, o que reforça a necessidade de ampliar o espaço para diferentes correntes dentro do campo progressista.

Ela lembrou que a aliança conta com nomes considerados fortes, como o próprio Haddad na disputa pelo governo estadual e a ministra Simone Tebet, que deverá concorrer a uma das vagas ao Senado. Para Marina, essa configuração demonstra que o equilíbrio interno da coalizão deve levar em conta a representatividade das demais legendas.

A disputa pela segunda vaga envolve também o ex-ministro Márcio França, do PSB, que já colocou seu nome à disposição. Marina ponderou que a definição não deve ocorrer de forma conflituosa, mas sim por meio de entendimento político entre os partidos aliados, considerando o peso de cada grupo na composição eleitoral.

Na análise da ex-ministra, o PSB já se encontra contemplado dentro da aliança, tanto pela presença do vice-presidente Geraldo Alckmin quanto pela participação de Simone Tebet na disputa ao Senado. Por isso, ela argumenta que seria legítimo que a federação Rede-PSOL também tenha espaço assegurado na composição final.

Marina ressaltou que a federação formada por Rede e PSOL possui relevância política expressiva em São Paulo, o que, segundo ela, pode ser observado inclusive em resultados eleitorais recentes. Ela citou o desempenho do deputado Guilherme Boulos, que chegou ao segundo turno em eleições anteriores, como indicativo da força do campo representado pela federação.

Além disso, a ex-ministra afirmou que sua trajetória política permite dialogar com diferentes segmentos da sociedade paulista. Entre eles, mencionou juventudes, mulheres, moradores da periferia, setores do empresariado e grupos da centro-esquerda e da centro-direita. Para ela, essa capacidade de articulação amplia o alcance da candidatura dentro de um cenário político diversificado.

Ao comentar sua permanência na Rede Sustentabilidade, Marina reconheceu a existência de divergências internas, mas afirmou que esse tipo de debate é natural dentro de partidos políticos. Segundo ela, o problema não está na divergência em si, mas na tentativa de silenciar opiniões distintas dentro da legenda.

A ex-ministra afirmou que sua posição pública buscou tratar as diferenças de forma respeitosa, sem esconder os conflitos existentes. Para ela, a transparência no debate interno é fundamental para a manutenção de princípios democráticos dentro das organizações partidárias.

Marina também criticou decisões internas que, segundo ela, alteraram a estrutura de diretórios eleitos, substituindo-os por direções provisórias. Na avaliação da ex-ministra, esse tipo de medida precisa ser discutido à luz dos princípios que orientaram a criação da legenda.

Ela ressaltou que participou ativamente da fundação da Rede Sustentabilidade e que conhece profundamente seus estatutos e diretrizes. Por isso, afirmou que não considera estar descumprindo nenhuma norma partidária ao expor suas posições.

Ao comentar as reações de integrantes da legenda à sua nota pública, Marina afirmou que as críticas fazem parte do processo político e devem ser avaliadas pela militância e pela sociedade. Ainda assim, reiterou que não pretende abrir mão de manifestar suas opiniões diante das divergências.

A ex-ministra também destacou que sempre defendeu a pluralidade dentro da Rede, lembrando que o partido foi concebido como um espaço de convivência entre diferentes correntes de pensamento. Para ela, essa diversidade é essencial para fortalecer a atuação política e ampliar a representatividade.

Questionada sobre o impacto das tensões internas em sua eventual candidatura, Marina afirmou não acreditar que haja risco concreto de impedimento. Segundo ela, não seria razoável que a legenda negasse sua participação, considerando sua trajetória e contribuição para a construção do partido.

Em relação à definição do nome que ocupará a segunda vaga ao Senado, Marina voltou a defender que o processo seja conduzido com serenidade e diálogo. Para ela, a liderança de Haddad será fundamental para garantir uma solução que contemple os interesses da coalizão.

A ex-ministra também ressaltou que reconhece a importância de Márcio França dentro da aliança e que sua contribuição política deve ser considerada no processo de decisão. No entanto, reiterou que a federação Rede-PSOL precisa ser devidamente valorizada na composição eleitoral.

Segundo Marina, o objetivo central é construir uma chapa competitiva e representativa, capaz de dialogar com diferentes segmentos da sociedade paulista. Ela afirmou que encara a política como um serviço público e que está disposta a contribuir da melhor forma possível dentro desse contexto.

Ao final, a ex-ministra destacou que o momento exige responsabilidade e capacidade de articulação para consolidar uma alternativa política consistente em São Paulo. Para ela, a construção coletiva será determinante para o sucesso da estratégia eleitoral da esquerda no estado.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


Avatar

administrator