A confiança do consumidor brasileiro voltou a subir em abril e registrou a segunda alta consecutiva, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. O Índice de Confiança do Consumidor avançou 1 ponto e chegou a 89,1 pontos, repetindo o melhor nível observado desde dezembro do ano passado. Na média móvel trimestral, também houve crescimento, sinalizando melhora gradual na percepção das famílias sobre a economia.
O resultado foi impulsionado, sobretudo, pela avaliação mais positiva sobre o momento atual. O indicador que mede a percepção presente da economia teve avanço mais forte do que o componente ligado às expectativas futuras, indicando que o consumidor tem enxergado algum alívio em seu cotidiano financeiro.
Entre os fatores apontados para a melhora estão a inflação mais controlada, a manutenção de um mercado de trabalho considerado robusto e medidas que podem ter reduzido pressões sobre o orçamento das famílias de renda mais baixa. Segundo a análise da FGV, esse grupo foi o que apresentou maior recuperação no período, reforçando a percepção de melhora concentrada entre consumidores mais vulneráveis.
O destaque do levantamento foi a elevação do indicador relacionado à situação financeira atual das famílias, considerado o principal responsável pela alta do índice em abril. A melhora nesse componente sugere percepção mais favorável sobre capacidade de pagamento e organização das despesas domésticas.
Outro aspecto relevante foi o avanço do índice entre consumidores com renda de até R$ 2,1 mil mensais. Essa faixa já havia registrado crescimento no mês anterior e voltou a apresentar melhora, indicando continuidade de uma recuperação que vem sendo acompanhada pelos analistas.
Apesar do resultado positivo, especialistas apontam que o cenário para os próximos meses ainda exige cautela. Um dos fatores de atenção é o impacto de tensões externas sobre a inflação brasileira. Eventual pressão sobre preços pode comprometer o poder de compra e afetar novamente a confiança das famílias.
O nível de endividamento também permanece como ponto sensível. Mesmo com alguma melhora pontual percebida no levantamento, o comprometimento da renda segue elevado e é visto como obstáculo para uma recuperação mais consistente do consumo. Para analistas, políticas que aliviem o orçamento doméstico podem ter papel importante na sustentação da confiança.
A leitura predominante é que o avanço do indicador mostra reação moderada, mas ainda distante de um ambiente plenamente favorável. A confiança do consumidor continua em patamar considerado baixo, o que demonstra persistência de incertezas em relação ao futuro.
Ainda assim, o resultado de abril reforça sinais de resiliência da economia doméstica. A combinação entre emprego, desaceleração inflacionária e eventuais medidas de apoio à renda vem contribuindo para uma percepção menos pessimista.
A evolução desse quadro será observada nos próximos meses, especialmente diante do comportamento dos preços, das condições de crédito e do impacto de fatores internacionais. Se o cenário permanecer estável e houver continuidade em medidas de suporte ao orçamento das famílias, a confiança poderá sustentar trajetória de recuperação e favorecer o consumo, componente relevante para o crescimento econômico do país.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

