O senador Rodrigo Pacheco fez gesto público de apoio ao advogado-geral da União, Jorge Messias, na véspera da sabatina do indicado ao Supremo Tribunal Federal. Pacheco participou de almoço com lideranças do PSB, posou para fotos ao lado de Messias e reforçou movimentação política que incluiu nota oficial do partido em defesa da indicação.

O encontro foi articulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e reuniu, além de Pacheco, o prefeito do Recife, João Campos, e senadores da legenda.

O gesto foi interpretado nos bastidores como reforço importante para a reta final da articulação em favor de Messias, em momento marcado por incertezas sobre a contagem de votos.

A movimentação ganha peso porque Pacheco chegou a ser cogitado para a vaga no Supremo e era visto como nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para ocupar a cadeira.

Apesar de ter se reunido com Messias na semana passada, Alcolumbre não fez manifestação pública de apoio nem atuou para pedir votos a aliados, gesto considerado decisivo em outras indicações à Corte.

Sem esse movimento, parte dos senadores permanece cautelosa. Levantamento citado por aliados do governo aponta 25 votos favoráveis declarados, 22 contrários e 34 parlamentares ainda em posição indefinida ou sem manifestação pública.

Como são necessários 41 votos para aprovação, Messias precisa conquistar ao menos mais 16 apoios.

Mesmo com esse cenário apertado, interlocutores do governo trabalham com projeção mais otimista, entre 44 e 49 votos, apostando em adesões silenciosas na votação secreta.

O apoio de Pacheco é visto como tentativa de influenciar colegas justamente nesse universo de indecisos.

Em paralelo ao almoço, o PSB divulgou nota afirmando confiança na indicação e destacando atributos como experiência, equilíbrio, independência e compromisso público.

Nos bastidores, a combinação entre gesto político e manifestação partidária foi lida como esforço coordenado para consolidar apoio institucional na véspera da sabatina.

A leitura é que, diante da ausência de um aceno explícito de Alcolumbre, movimentos como o de Pacheco ganham relevância adicional.

A sabatina está marcada para esta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça, com possibilidade de votação em plenário ainda no começo da noite.

Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta no Supremo e enfrenta uma das tramitações mais disputadas dos últimos anos.

Na avaliação de aliados, o gesto de Pacheco ajuda a reduzir incertezas e fortalece a narrativa de apoio político mais amplo ao nome do AGU.

Ainda assim, o quadro segue tratado como sensível, sobretudo em razão do risco de ausências em semana encurtada por feriados e do comportamento imprevisível dos indecisos.

Com a sabatina às portas, a demonstração pública de apoio do senador mineiro passou a ser vista como um dos principais fatos políticos da reta final da articulação em torno da indicação.

Foto: Divulgação/PSB


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