Em meio à indefinição sobre a corrida ao governo de Minas Gerais, aliados dos senadores Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) intensificaram a cobrança por uma posição clara sobre a participação de ambos na eleição deste ano. Apesar de aparecerem com desempenho relevante em pesquisas recentes de intenção de voto, os dois ainda evitam confirmar publicamente se serão candidatos.

O cenário de incerteza tem mobilizado diferentes grupos políticos no estado. No campo da esquerda, a pressão se tornou mais explícita após manifestação da ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT). Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela defendeu que Pacheco assuma protagonismo na disputa e coloque seu nome como pré-candidato ao governo mineiro.

Segundo Marília, Minas Gerais enfrenta desafios estruturais que exigem liderança experiente e capacidade de articulação política. Em sua fala, ela destacou a trajetória de Pacheco no Congresso Nacional e sua interlocução com diferentes esferas de poder, como fatores que poderiam contribuir para a reconstrução administrativa do estado.

A petista também mencionou a situação fiscal mineira, ressaltando o déficit registrado e o histórico de negociações envolvendo a dívida com a União. Ela lembrou que o senador teve participação relevante na formulação de medidas que aliviaram parte desse passivo, reforçando o argumento de que ele teria condições de conduzir soluções para o problema.

Enquanto isso, no campo governista e entre aliados mais próximos, o momento é de cautela. Interlocutores de Pacheco indicam que o senador está concentrado na construção de alianças políticas antes de tomar qualquer decisão definitiva. A avaliação interna é de que a viabilidade eleitoral depende não apenas do desempenho nas pesquisas, mas também da consolidação de apoios partidários e regionais.

A indefinição também ocorre após desdobramentos recentes no cenário nacional, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O episódio gerou ruídos políticos e levou aliados do governo a questionarem a atuação de lideranças no Senado, incluindo Pacheco. Após a votação, cresceu a percepção de que o senador poderia redirecionar seus planos políticos, priorizando a disputa estadual em vez de eventuais indicações para cargos no Judiciário.

No caso de Cleitinho, a pressão vem principalmente de setores da direita. O senador lidera pesquisas recentes e, mesmo assim, mantém discurso de cautela sobre sua candidatura. Ele tem afirmado que ainda precisa resolver questões pessoais antes de tomar uma decisão definitiva.

Entre essas questões está o alinhamento político com seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, que recentemente se filiou ao Republicanos com a intenção de disputar uma vaga no Senado. Gleidson tem atuado de forma mais incisiva, defendendo a consolidação de uma candidatura única da direita em torno de Cleitinho.

Em vídeo divulgado no último fim de semana, o ex-prefeito criticou a possibilidade de fragmentação do campo conservador e alertou para o risco de divisão eleitoral. Ele destacou

que o irmão já demonstrou alinhamento com lideranças nacionais da direita e defendeu que outras siglas adotem postura semelhante.

A fala também incluiu críticas indiretas a partidos que avaliam lançar candidaturas próprias, mesmo com baixo desempenho nas pesquisas. O objetivo, segundo Gleidson, deveria ser a união em torno de um nome competitivo para aumentar as chances de vitória no pleito estadual.

Paralelamente, partidos como o PL ainda discutem estratégias para Minas Gerais, incluindo a possibilidade de lançar nomes próprios ou apoiar candidaturas já colocadas. Esse movimento amplia a complexidade do cenário político e reforça a importância das definições por parte dos principais pré-candidatos.

Diante desse quadro, a expectativa é de que as próximas semanas sejam decisivas para a consolidação das candidaturas. Tanto Pacheco quanto Cleitinho seguem como peças centrais na disputa, e suas decisões devem influenciar diretamente o desenho final da eleição ao governo mineiro.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


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