O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que considera injustificável a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila em Israel. O brasileiro foi preso no dia 30 de abril durante uma operação contra a Flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses em águas internacionais próximas da Grécia enquanto seguia em direção à Faixa de Gaza.

Além de Thiago Ávila, o ativista espanhol Saif Abu Keshek também foi detido e levado para Israel. Outros integrantes da flotilha foram encaminhados para a ilha grega de Creta. Segundo os organizadores da missão humanitária, mais de cem ativistas participavam da mobilização em cerca de vinte embarcações.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a prisão representa grave afronta ao direito internacional e defendeu a libertação imediata dos ativistas. O presidente brasileiro ressaltou que o governo do Brasil atua em conjunto com a Espanha para garantir segurança aos dois detidos.

Segundo Lula, a manutenção da prisão causa preocupação e precisa ser condenada pela comunidade internacional. O presidente também declarou que os ativistas participavam de uma missão humanitária destinada ao envio de ajuda para a população palestina da Faixa de Gaza.

As autoridades israelenses justificaram a prisão sob suspeita de crimes relacionados a assistência ao inimigo em tempo de guerra, contato com agente estrangeiro e colaboração com organização terrorista. A prisão preventiva de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foi prorrogada novamente até domingo.

A Global Sumud informou que cento e oitenta integrantes da flotilha já foram detidos desde o início das operações israelenses contra os navios. Conforme a organização, trinta e cinco participantes deixaram a prisão feridos após as abordagens realizadas pelas forças militares israelenses.

A liderança da Frente Palestina São Paulo, Soraya Misleh, afirmou que o objetivo da flotilha era oferecer ajuda humanitária diante das dificuldades enfrentadas pela população palestina em Gaza.

Soraya Misleh declarou ainda que a população palestina enfrenta falta de alimentos, água e atendimento médico em razão dos conflitos e do bloqueio imposto sobre Gaza. Segundo ela, hospitais, escolas e demais estruturas civis foram destruídas durante os confrontos recentes na região. A ativista também destacou o lema utilizado pela flotilha, afirmando que a iniciativa procura agir quando governos não conseguem assegurar proteção humanitária aos civis palestinos. Em outubro do ano passado, militares israelenses já haviam interceptado outra embarcação ligada ao movimento e prenderam mais de quatrocentos participantes, incluindo a ativista sueca Greta

Thunberg, em uma operação semelhante realizada durante tentativa de aproximação da costa de Gaza no Mediterrâneo oriental.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


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