O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e reafirmou apoio à candidatura dela para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas. A disputa ganhou intensidade nos últimos meses diante das articulações diplomáticas para definir o sucessor do atual secretário-geral da entidade, António Guterres.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que Michelle Bachelet reúne experiência política e conhecimento sobre o funcionamento da ONU para se tornar a primeira mulher latino-americana a liderar o organismo internacional. Segundo o presidente brasileiro, o encontro também serviu para discutir o atual cenário global, os conflitos internacionais e a necessidade de fortalecer o multilateralismo diante das tensões entre diferentes países.

A candidatura da ex-presidente chilena foi lançada oficialmente em fevereiro pelos governos do Brasil, Chile e México. Entretanto, após a vitória do conservador José Antonio Kast nas eleições chilenas e a mudança de comando no país, o governo chileno retirou o apoio à candidatura. Apesar disso, Brasil e México decidiram manter a articulação internacional em favor de Bachelet.

Pelo sistema de rotatividade adotado pela ONU, representantes diplomáticos latino-americanos defendem que o próximo secretário-geral seja escolhido entre nomes da América Latina e Caribe. O mandato de António Guterres termina em dezembro deste ano, e o sucessor assumirá oficialmente o cargo em janeiro de 2027.

Michelle Bachelet, de 74 anos, governou o Chile em dois mandatos e também ocupou os cargos de ministra da Defesa e ministra da Saúde. No cenário internacional, comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e liderou a ONU Mulheres, consolidando trajetória política ligada à defesa dos direitos humanos e da democracia.

Durante a reunião no Planalto, integrantes do governo brasileiro destacaram que a candidatura de Bachelet representa uma tentativa de ampliar a presença feminina nos organismos multilaterais. Desde a criação da ONU, em 1945, nenhuma mulher ocupou o posto máximo da instituição. Diplomatas brasileiros avaliam que a experiência da ex-presidente chilena em temas relacionados aos direitos humanos, segurança e cooperação fortalece sua posição na disputa. As negociações para a escolha do secretário-geral devem ganhar intensidade ao longo do segundo semestre, envolvendo debates entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Foto: Wallison Breno/PR


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