O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu o julgamento virtual que analisa a prisão preventiva de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. O pedido de vista foi apresentado após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, votar pela manutenção da medida cautelar decretada contra Felipe, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro ligado ao antigo controlador do Banco Master.
A análise acontecia na Segunda Turma do Supremo e havia começado na manhã desta sexta-feira. Com o pedido de vista apresentado por Gilmar Mendes, o julgamento fica interrompido por até noventa dias, prazo previsto para devolução do processo à pauta da Corte.
Ao defender a manutenção da prisão preventiva, André Mendonça afirmou que Felipe Vorcaro continuou adotando medidas de ocultação patrimonial mesmo após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo o relator, há indícios de atuação contínua em operações financeiras consideradas suspeitas até abril deste ano, inclusive depois das primeiras fases ostensivas da Operação Compliance Zero.
Mendonça também mencionou episódio ocorrido durante a segunda fase da operação, realizada em janeiro, quando Felipe teria deixado uma residência em Trancoso, na Bahia, minutos antes da chegada dos agentes federais. De acordo com as investigações, câmeras de segurança registraram a saída dele em um carrinho de golfe pouco antes do cumprimento dos mandados judiciais.
Outro ponto destacado pelo ministro envolve supostos repasses financeiros relacionados ao senador Ciro Nogueira. Segundo a Polícia Federal, Felipe teria participado da transferência de participação societária da empresa Green Investimentos para empresa ligada à família do parlamentar, além de operacionalizar pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
No voto apresentado ao Supremo, André Mendonça afirmou que as investigações identificaram uma estrutura societária complexa utilizada para ocultar patrimônio, recursos financeiros e a titularidade de empresas ligadas ao grupo investigado pela Operação Compliance Zero.
Foto: Gustavo Moreno/STF

