A inovação nas empresas industriais deixou de ser apenas tendência para se tornar uma necessidade estratégica diante das transformações tecnológicas e das mudanças constantes do mercado. O tema esteve no centro das discussões realizadas durante a Imersão Indústria, promovida em Belo Horizonte, reunindo especialistas de grandes companhias para compartilhar experiências sobre gestão da inovação, cultura organizacional e mensuração de resultados. O encontro também abordou os desafios enfrentados pelas empresas para integrar práticas inovadoras às decisões corporativas e ao desenvolvimento de lideranças.
Participaram do painel a gerente de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Copasa, Karoline Tenório; a gerente geral de Marketing, Estratégia e Inovação da Belgo Arames, Malu Ciorlia; e a agente de inovação da Vale, Aylen Ambertin. A mediação foi conduzida pela analista de inovação aberta do FIEMG Lab, Genilda de Oliveira.
Durante o debate, Aylen Ambertin afirmou que a inovação precisa estar diretamente conectada à estratégia empresarial e à valorização das pessoas dentro das organizações. Segundo ela, a Vale desenvolve programas voltados à disseminação da cultura inovadora entre trabalhadores de diferentes níveis hierárquicos, incluindo lideranças, equipes técnicas e estagiários.
A representante da mineradora destacou ainda que a empresa trabalha com uma estrutura descentralizada, mas sustentada por mecanismos de governança capazes de garantir alinhamento entre os projetos e os objetivos corporativos. Para Aylen, a inovação também deve ser considerada nos processos de contratação, capacitação e formação de lideranças, fortalecendo o ambiente interno para novas ideias e soluções.
Karoline Tenório, da Copasa, ressaltou que a mensuração dos resultados obtidos por meio da inovação continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas organizações. Ela explicou que projetos inovadores envolvem riscos e exigem maior maturidade das empresas para compreender que nem todas as iniciativas apresentarão resultados imediatos.
Segundo a executiva, o desafio está justamente em criar indicadores capazes de avaliar o impacto das ações inovadoras sem ignorar o risco inerente aos processos criativos. Karoline afirmou ainda que o apoio da alta liderança é decisivo para estimular iniciativas transformadoras e ampliar o espaço para experimentações dentro das companhias.
Já Malu Ciorlia, da Belgo Arames, destacou que a inovação possui papel fundamental para garantir competitividade e relevância no mercado. Para ela, as empresas já reconhecem a importância estratégica do tema, mas ainda enfrentam dificuldades para consolidar uma cultura inovadora de forma transversal e permanente.
A analista do FIEMG Lab, Genilda de Oliveira, afirmou que o fortalecimento do ecossistema de inovação depende da conexão entre indústrias, startups, centros de pesquisa e novas tecnologias. Segundo ela, compreender como medir os resultados gerados pela inovação é essencial para consolidar essa prática como instrumento estratégico de crescimento empresarial.
O painel também evidenciou que a inovação exige planejamento, governança e envolvimento das lideranças para se tornar efetivamente parte da cultura corporativa. A Imersão Indústria foi realizada pelo Sistema FIEMG, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria, reunindo representantes empresariais, especialistas e instituições ligadas ao desenvolvimento industrial mineiro.
Os participantes defenderam ainda que a troca de experiências entre empresas contribui para acelerar processos de transformação e ampliar a capacidade de adaptação das organizações diante das exigências econômicas. Para os especialistas presentes, inovação não significa apenas investimento em tecnologia, mas também mudança de mentalidade, incentivo à criatividade e fortalecimento de ambientes colaborativos. O encontro reforçou a necessidade de aproximar o setor produtivo das discussões sobre pesquisa, desenvolvimento e formação profissional, criando condições para que a indústria brasileira aumente sua competitividade e geração de empregos qualificados.
Foto: Sebastião Jacinto Júnior

