A senadora Soraya Thronicke afirmou que apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais do próximo ano e provocou forte repercussão entre antigos aliados ligados ao bolsonarismo. Durante discurso realizado no Assentamento Monjolinho, no município de Anastácio, a parlamentar declarou que mudou de posicionamento político após acompanhar mais de perto a atuação do chefe do Executivo federal.
Eleita em 2018 pelo antigo PSL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Soraya ficou conhecida nacionalmente como “a senadora do Bolsonaro”. Nos últimos anos, porém, passou a se afastar do grupo político conservador e intensificou aproximações com integrantes da base governista no Congresso Nacional.
Durante o evento em Anastácio, a senadora afirmou que não teve receio de “mudar de lado” e elogiou o comportamento de Lula. Segundo ela, o presidente demonstrou humanidade e capacidade de diálogo, fatores que contribuíram para sua decisão de apoiar a continuidade do atual governo federal.
Soraya também declarou que o país precisou enfrentar um período de reconstrução institucional e econômica após a gestão anterior. Na avaliação da parlamentar, quatro anos seriam insuficientes para reorganizar setores afetados pela crise política e econômica dos últimos anos. Por isso, defendeu a reeleição de Lula ainda no primeiro turno.
A mudança de posicionamento da senadora gerou críticas entre apoiadores de Bolsonaro. Nas redes sociais, antigos aliados classificaram Soraya como traidora por abandonar o grupo político que ajudou em sua eleição ao Senado Federal.
A parlamentar ingressou recentemente no PSB, legenda aliada do governo federal. Antes disso, passou pelo União Brasil e pelo Podemos. Em 2022, disputou a Presidência da República, mas obteve pouco mais de meio por cento dos votos válidos no primeiro turno eleitoral.
Mesmo após as eleições de 2022, Soraya já havia demonstrado aproximação com o presidente petista ao comparecer à cerimônia de posse em Brasília. Na ocasião, tirou fotografias com apoiadores de Lula e afirmou estar arrependida de ter apoiado Bolsonaro em 2018. A postura provocou reações negativas entre integrantes da direita, incluindo críticas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Apesar das pressões, a senadora reforçou o alinhamento com o Palácio do Planalto e sua participação em debates defendidos pela base governista.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

