O senador Sérgio Moro (PL) lançou nesta sexta-feira (29), em Curitiba, sua pré-candidatura ao Governo do Paraná em um evento que marcou mais um capítulo da reaproximação entre o ex-ministro da Justiça e a família Bolsonaro. A cerimônia reuniu lideranças da direita e teve como principal destaque a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Durante o evento, Moro fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogiou a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos para defender a inclusão das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas.

Ao discursar, Moro classificou a iniciativa como um movimento importante no combate ao crime organizado e destacou a atuação do senador fluminense.

“Flávio, você teve um ato de coragem ao agir paralelamente, contrariamente à posição do Lula, e conseguir convencer o governo norte-americano a colocar o nome dessas organizações terroristas como alvo do governo”, afirmou.

O senador paranaense também chamou a medida anunciada pelos Estados Unidos de “extraordinária” e afirmou que a articulação demonstrou capacidade política de Flávio Bolsonaro.

“O que aconteceu nesses últimos dias foi extraordinário. Ele mostrou o que pode fazer sem embaixada, sem um séquito. Ele conseguiu convencer o governo norte-americano a dar esse passo importante”, declarou Moro.

A sintonia política entre os dois também ficou evidente em outros momentos do evento. Flávio Bolsonaro utilizou uma camiseta com a frase “Curitiba prendeu. Brasília soltou”, referência à condenação do presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato, quando Moro ainda atuava como juiz federal em Curitiba.

Em seu discurso, Flávio também atacou o governo federal e acusou Lula de atuar contra a classificação das facções como organizações terroristas. Segundo o senador, o presidente brasileiro teria tentado convencer autoridades norte-americanas a não adotar a medida.

“Enquanto ele foi lá fazer lobby para o CV e o PCC, foi lamber a bota do Trump para fazer lobby para o CV e o PCC, para defender marginais, nós fomos lá para pedir que eles fossem tratados como terroristas, que é o que eles são“, afirmou.

Moro também relembrou sua passagem pelo Ministério da Justiça durante o governo Jair Bolsonaro e afirmou que as ações adotadas contra organizações criminosas transformaram tanto ele quanto o ex-presidente em alvos de ameaças por parte das facções.

Segundo o senador, a atuação de Flávio Bolsonaro em defesa da classificação do PCC e do Comando Vermelho também o colocou sob risco.

“Quando você agiu assim, sabia que seu nome iria entrar nessa mesma lista. Mas tenho certeza também de que você, assim como seu pai e assim como eu lá em 2019, pensou no bem-estar da população brasileira”, disse.

Flávio retribuiu os elogios e destacou a trajetória de Moro no combate à corrupção. Para o senador, o ex-juiz da Lava Jato reúne as condições necessárias para disputar o comando do Paraná.

“Moro é um símbolo de combate à corrupção, símbolo de seriedade, que vai ter a independência de montar um time forte, com uma Assembleia forte, para fazer o melhor pelo Paraná”, declarou.

O encontro simbolizou a consolidação de uma aproximação política que começou a ser reconstruída em 2022, quando Moro declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro no segundo turno contra Lula.

A reaproximação ocorreu após anos de afastamento e divergências públicas. Em abril de 2020, Moro deixou o Ministério da Justiça acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Na ocasião, o então presidente negou as acusações e afirmou que o ex-ministro buscava apoio para uma futura indicação ao Supremo Tribunal Federal.

As divergências continuaram nos anos seguintes. Em 2021, Bolsonaro voltou a criticar Moro por supostamente ter atuado contra medidas do governo relacionadas à flexibilização do acesso às armas. No mesmo período, Moro ensaiou uma candidatura presidencial e fez críticas públicas ao bolsonarismo, incluindo referências às investigações envolvendo Flávio Bolsonaro no caso das chamadas “rachadinhas“.

O evento realizado em Curitiba demonstrou que essas diferenças ficaram para trás diante do alinhamento político para as eleições de 2026.

Além de Moro e Flávio Bolsonaro, participaram da cerimônia o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo), pré-candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL), também pré-candidato ao Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o prefeito de Foz do Iguaçu, general Joaquim Silva e Luna (PL).

Silva e Luna presidiu a Petrobras entre 2021 e 2022 durante o governo Bolsonaro e é uma das lideranças ligadas ao grupo político do ex-presidente no Paraná.

Com o lançamento da pré-candidatura, Moro inicia oficialmente sua movimentação para disputar o Governo do Paraná em 2026, apostando na união das principais lideranças da direita no estado e no apoio do grupo político liderado por Jair Bolsonaro.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


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