O setor supermercadista brasileiro encerrou o ano de dois mil e dezoito com crescimento de dois vírgula zero sete por cento nas vendas em comparação com o ano anterior, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados. O resultado foi considerado positivo pelo segmento, especialmente diante dos desafios econômicos e políticos enfrentados ao longo daquele período.
Os dados apontam que, no mês de dezembro, as vendas apresentaram forte expansão em relação a novembro, impulsionadas pelas festas de fim de ano e pelo aumento tradicional do consumo das famílias. Na comparação com dezembro do ano anterior, também foi observada evolução nas vendas, reforçando a recuperação gradual do setor após anos marcados por dificuldades econômicas.
Apesar do avanço, o desempenho ficou abaixo das projeções iniciais da entidade, que esperava um crescimento mais robusto. Ao longo do ano, diversos fatores influenciaram o comportamento do mercado e afetaram o ritmo de expansão do consumo. Entre eles esteve a paralisação dos caminhoneiros, que provocou problemas de abastecimento em várias regiões do país e impactou diretamente os preços dos combustíveis e dos alimentos.
A crise logística gerada pela interrupção do transporte de cargas provocou reflexos que se estenderam por vários meses. O aumento dos custos e a insegurança gerada pela situação contribuíram para uma postura mais cautelosa dos consumidores, que passaram a controlar com maior rigor os gastos domésticos.
Outro fator citado pelo setor foi o ambiente de incerteza política vivido durante o período eleitoral. A indefinição sobre os rumos da economia levou parte da população a adiar compras e reduzir despesas consideradas não essenciais. Mesmo diante desse cenário, representantes do segmento avaliaram o resultado anual como satisfatório e destacaram que foi um dos melhores desempenhos registrados desde a recuperação econômica iniciada após a recessão.
O levantamento também mostrou que o custo da cesta de produtos de largo consumo apresentou aumento ao longo do ano. Alguns alimentos registraram elevações expressivas de preços, especialmente produtos hortifrutigranjeiros e itens básicos da alimentação. Entre os destaques de alta estiveram cebola, batata, feijão e determinados cortes de carne.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução de preços, contribuindo para amenizar o impacto sobre o orçamento das famílias. Itens de higiene, limpeza e determinados alimentos industrializados registraram recuos ao longo do período analisado.
Regionalmente, a maior alta nos preços da cesta de consumo foi observada na Região Centro-Oeste. Já a Região Norte apresentou comportamento diferente, registrando redução no valor médio dos produtos pesquisados.
Para os representantes do setor supermercadista, a expectativa para o período seguinte era de continuidade da recuperação econômica, sustentada por inflação controlada, juros mais baixos e aumento da confiança de consumidores e empresários. O segmento avaliava que esses fatores poderiam estimular o consumo e fortalecer ainda mais o desempenho das vendas nos supermercados brasileiros, contribuindo para a geração de empregos e para o crescimento da atividade econômica nacional.
Foto; Tânia Rêgo/Agência Brasil

