A Maternidade Odete Valadares (MOV), unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), alcançou um importante reconhecimento internacional ao ter um estudo aprovado para apresentação no Congresso Mundial de Medicina Fetal, considerado o principal evento científico da especialidade no mundo. O encontro será realizado entre os dias 28 de junho e 2 de julho, em Viena, na Áustria, e marcará a primeira participação do Serviço de Medicina Fetal da maternidade com um trabalho selecionado para apresentação no evento.
A pesquisa intitulada “Analysis of Outcomes of Fetuses with Gastroschisis in Fetal Medicine Service at Public Hospital in Brazil – Comparison with Current Literature” analisa os desfechos clínicos de fetos diagnosticados com gastrosquise acompanhados pela equipe da maternidade e compara os resultados obtidos com os dados mais recentes da literatura científica internacional.
A gastrosquise é a malformação mais frequente da parede abdominal anterior do feto e ocorre quando parte do intestino se desenvolve fora da cavidade abdominal durante a gestação. Embora muitos casos apresentem evolução satisfatória após o nascimento, algumas situações podem resultar em complicações mais graves, exigindo acompanhamento especializado durante toda a gravidez e no período neonatal.
A coordenadora do estudo, a ginecologista e obstetra Marianna Pedroso, explica que o principal objetivo da pesquisa é identificar marcadores capazes de indicar, ainda durante o pré-natal, quais fetos possuem maior probabilidade de desenvolver complicações. Segundo ela, essas informações são fundamentais para o planejamento do parto, a organização da assistência neonatal e a orientação adequada das famílias.
O trabalho foi desenvolvido a partir da integração de diferentes especialidades envolvidas no cuidado materno-fetal, incluindo Cirurgia Pediátrica, Neonatologia, Cuidados Paliativos e Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia. A abordagem multidisciplinar reflete a estrutura assistencial construída pela maternidade nos últimos anos para o atendimento de gestações de maior complexidade.
Para o ginecologista e obstetra Gabriel Cruz Martins Campos, integrante da equipe de Medicina Fetal, a seleção do estudo demonstra o amadurecimento do serviço e cria uma oportunidade importante para divulgar a experiência acumulada pela unidade. Segundo ele, a participação em um congresso internacional fortalece o desenvolvimento da medicina fetal em Minas Gerais e contribui para ampliar a produção científica na rede pública de saúde.
Criado em agosto de 2024, o Serviço de Medicina Fetal da MOV vem ampliando o acesso de gestantes do Sistema Único de Saúde a exames especializados, diagnóstico precoce e acompanhamento de gestações de alto risco. Nos últimos anos, a unidade passou a oferecer procedimentos cada vez mais complexos, incluindo transfusões intrauterinas para tratamento de anemias fetais graves e a realização do primeiro procedimento EXIT, técnica utilizada em situações específicas para garantir uma transição segura do bebê ao nascimento. Os avanços consolidam a maternidade como uma das principais referências em medicina fetal no estado.
Foto: Anni Sieglitz

