O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento nesta terça-feira à Polícia Civil do Distrito Federal no âmbito do inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em seu nome. Segundo informações divulgadas pela defesa, Bolsonaro afirmou aos investigadores que solicitou auxílio a um militar de sua equipe de segurança após perceber que a arma apresentava falha de funcionamento e precisava passar por manutenção.

A oitiva ocorreu na residência do ex-presidente, onde ele cumpre prisão domiciliar humanitária. O depoimento foi autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, responsável pelo acompanhamento da execução penal de Bolsonaro. De acordo com os advogados, a conversa com os investigadores durou cerca de cinco minutos e teve como base os mesmos esclarecimentos já apresentados anteriormente ao STF.

Inicialmente, a Polícia Civil pretendia realizar o depoimento por videoconferência. No entanto, Moraes determinou que os agentes fossem até a residência do ex-presidente para a coleta das informações.

A investigação foi aberta após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros encontrada em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança de Bolsonaro. O armamento foi recolhido durante uma abordagem policial porque não estava acompanhado do Certificado de Registro de Arma de Fogo, documento exigido para o transporte legal da arma.

Em depoimento anterior, o militar afirmou que transportava a pistola para manutenção e que o armamento seria devolvido posteriormente ao ex-presidente. A versão foi reforçada pela defesa de Bolsonaro, que sustenta não haver qualquer irregularidade relacionada à posse da arma.

Os advogados também informaram ao STF que integrantes da equipe de segurança teriam retirado o pecursor da pistola sem o conhecimento prévio de Bolsonaro, tornando-a inoperante. Segundo a defesa, a medida teria sido adotada em razão do tratamento médico e do uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente.

Na manifestação encaminhada ao Supremo, os defensores argumentam que Bolsonaro percebeu a falha no funcionamento da arma ao manuseá-la e verificar que o mecanismo não operava normalmente. Sem identificar a causa do problema, ele teria entregue o equipamento a um segundo-sargento do Exército para avaliação técnica.

O inquérito será compartilhado com o gabinete de Alexandre de Moraes. As informações poderão ser consideradas na análise da situação jurídica do ex-presidente, cujo prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar concedida em março se encerra nesta semana. A defesa segue sustentando que a posse da arma era regular e que não houve qualquer intenção de descumprir determinações legais.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


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