A liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, decretada pelo Banco Central na última sexta-feira (26), representa mais um desdobramento das medidas adotadas contra antigos parceiros de Daniel Vorcaro no contexto das investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master. Controlada por Benjamim Botelho, a corretora teve destino semelhante ao do Banco Pleno, ligado a Augusto Lima, alvo recente da Polícia Federal, e da gestora Reag, reforçando o avanço das ações sobre instituições que mantiveram relações comerciais com o conglomerado financeiro.
Entre os antigos sócios de Vorcaro, apenas Mauricio Quadrado permanece sem medidas diretas por parte das autoridades. Ele possui participação na Trustee DTVM e foi sócio da Planner até 2020, instituição que intermediou captações de recursos para o Banco Master junto a fundos de previdência, incluindo operações envolvendo o Rioprevidência.
Segundo as investigações, Benjamim Botelho e a Sefer, anteriormente denominada Foco DTVM e Indigo, integravam a estrutura utilizada para movimentação de recursos ligados ao esquema atribuído a Vorcaro. A corretora também apareceu anteriormente na Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020 para apurar supostas fraudes na administração de recursos de fundos de previdência municipais em Rondônia e outros estados.
Ao anunciar a liquidação, o Banco Central informou que a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora, pelo risco aos credores quirografários e por graves violações às normas que disciplinam a atividade da instituição financeira. O órgão também determinou o bloqueio dos bens de Benjamim Botelho, embora o comunicado oficial não faça referência direta às investigações envolvendo o Banco Master.
Desde a liquidação do Master, em novembro de 2025, o Banco Central também determinou intervenções e liquidações em outras empresas relacionadas ao grupo, como o Will Bank, ampliando a fiscalização sobre instituições consideradas estratégicas na estrutura financeira construída por Vorcaro.
Benjamim Botelho, de 63 anos, reside atualmente em Portugal, onde obteve nacionalidade portuguesa após renunciar à cidadania brasileira em janeiro de 2024. Uma offshore vinculada ao empresário nas Bahamas, denominada Faex Fund, foi incluída entre os ativos do Banco Master no exterior pelo liquidante Eduardo Félix Bianchini, que obteve decisão favorável da Justiça local para reconhecimento da liquidação extrajudicial, permitindo futuras medidas de bloqueio patrimonial.
Documentos apresentados ao Banco Central mostram que, na tentativa de aquisição do então Banco Máxima, em 2017, Vorcaro informou que parte do pagamento seria realizada com cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário, administrado pela Sefer. Esse fundo também figurou entre os principais alvos da Operação Fundo Fake, que investigou supostas irregularidades na gestão de recursos previdenciários municipais.
A Comissão de Valores Mobiliários ainda mantém quatro processos administrativos em andamento contra Benjamim Botelho e a Sefer. Em outro procedimento já encerrado, envolvendo também Daniel Vorcaro e o Banco Master, foram firmados termos de compromisso para pagamento de multas relacionadas a supostas irregularidades na emissão de debêntures, caso marcado por questionamentos sobre conflitos de interesse e pelo posterior ingresso do relator do processo na advocacia do próprio banco.
Foto: Ana Paula Paiva/Val

