O longa-metragem mineiro “As linhas da minha mão” foi o grande vencedor da Mostra Aurora, a principal categoria da 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Pelo segundo ano seguido um trabalho do estado vence a categoria. A cerimônia de encerramento do festival foi na noite de sexta-feira (28).

O documentário tem direção de João Dumans e produção executiva de Laura Godoy, ambos mineiros. Nele, por meio de uma série de encontros imprevisíveis, uma atriz – Viviane de Cássia Ferreira, também mineira – fala sobre a sua experiência com a arte e a loucura.

O prêmio foi concedido pelo Júri Oficial, formado por críticos, pesquisadores e profissionais do audiovisual.

Na visão dos jurados, o filme representa “um cinema que convida a desenquadrar o sujeito para além de uma categoria, de conceito ou signos fechados. O quadro se torna a abertura de uma pessoa que a todo momento desafia a noção de bordas, expande limites e se prova uma fabuladora maior que a vida”.

Dumans conta que o filme nasceu de outra produção, de ficção, ainda inacabada, também com a participação de Viviane. Diretor e atriz se tornaram amigos e passaram a conviver mais de perto, trocar ideias e visões.

“Foi ficando mais e mais claro para mim a raridade e a força dos pensamentos de Viviane e da experiência de vida dela. Eles expressavam não só a beleza e a singularidade de sua vida, mas também falavam de alguns temas importantes para a nossa sociedade e para o nosso tempo. ‘As linhas da minha mão’ é o resultado desse processo”, afirmou o diretor.

Feito com apenas R$ 8 mil, o longa se mostra um documentário sensível, que aposta no corpo, na voz e no carisma de sua personagem para falar de afetos, vivências, saúde e relações urbanas.

“O filme foi rodado quase com nenhum recurso, sem financiamento público. É feito de pedaços de conversas, performances, ideias, músicas e poemas. É um filme deliberadamente fragmentário, tanto o retrato de uma mulher, quanto um estudo sobre as possibilidades desse retrato“, define Dumans.

Para Viviane, o documentário faz com que as pessoas olhem para as linhas da própria mão e se sintam contempladas.

“A população, de um modo geral, está adoecendo muito, tomando muitos remédios, está faltando um pouco de sensibilidade, de atenção. Parece que as pessoas não são ouvidas em sua subjetividade no dia a dia, e o júri premiou isso, a subjetividade“, disse a atriz.

A produtora-executiva Laura Godoy, ouro-pretana assim como Dumans, é parceira do diretor desde seu primeiro longa, o premiado Arábia, dirigido com Afonso Uchoa.

“Fiz a direção de produção [de Arábia] com Marcella Jacques e a pesquisa de locação e conteúdo. Depois eu e João seguimos em outros projetos juntos, inclusive o documentário que estou fazendo sobre a passagem de Orson Welles por Ouro Preto, nossa cidade, em 1942. E estamos nos preparando para filmar o próximo longa de ficção dele, ‘A Terra Gasta’, financiado pela Ancine via BH nas Telas”, conta Laura.

Referência nacional

A Mostra de Cinema de Tiradentes é o maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira.

Mais de 100 filmes brasileiros são exibidos durante o festival, em pré-estreias nacionais e mostras temáticas, gratuitamente. A mostra ainda presta homenagem a personalidades do audiovisual, promove seminários, debates, oficinas e atrações artísticas.


Avatar

administrator