A Polícia Federal cumpriu hoje quatro mandados de prisão em uma operação que mira suspeitos por omissão antes e durante as invasões nas sedes dos Três Poderes.
O ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do DF, coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, foi um dos detidos.
Os outros três são:
tenente Rafael Pereira Martins;
capitão Josiel Pereira César, ajudante de ordens do comando-geral da PM-DF;
major Flávio Silvestre de Alencar, que apareceu em imagens liberando acesso para que os invasores entrassem no prédio do STF.
Preso, ex-comandante da PM estava de folga no 8 de janeiro. O coronel Barreto havia pedido dispensa entre os dias 3 e 8 daquele mês, segundo documentos obtidos pelo site Metrópoles.
O último dia de folga dele, portanto, coincidiu com a data dos ataques à Praça dos Três Poderes, em Brasília, quando bolsonaristas invadiram e destruíram os prédios, obras de arte, além de furtar armas e outros objetos.
Apesar da folga, o coronel Barreto foi convocado de emergência e atuou no dia da invasão. Alvo de uma investigação na corregedoria da PM por supostamente permitir a fuga de bolsonaristas, o PM negou, na ocasião, que tenha feito corpo mole.
Dois dias após os atos golpistas, o coronel Barreto foi afastado do cargo pelo interventor na segurança do DF, Ricardo Capelli.
“O militar agiu conforme a lei técnica, realizando todas as prisões ao alcance das condições materiais com as quais contava no momento. O avanço das investigações vai mostrar a inocência do coronel que há 30 anos presta serviços relevante à população do DF”, afirmou o advogados do coronel Jorge Eduardo Naime Barreto.
Os mandados de hoje foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se da 5ª fase da Operação Lesa Pátria, que tem o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os atos golpistas de 8 de janeiro.
Segundo a PF, foram cumpridos:
3 mandados de prisão temporária;
1 mandado de prisão preventiva;
6 mandados de busca e apreensão.
A corregedoria da Polícia Militar do DF também acompanhou os mandados.
Já foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão desde o início da Operação Lesa Pátria, que teve sua primeira fase deflagrada em 20 de janeiro
Os crimes investigados são:
abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
golpe de Estado;
dano qualificado;
associação criminosa;
incitação ao crime;
destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.
O ministro Flávio Dino (Justiça) se manifestou sobre a operação de hoje da PF em publicação no Twitter.
“Polícia Federal segue fazendo trabalho de investigação dos fatos ocorridos no dia 8 de janeiro. As apurações estão sendo entregues ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, para as providências cabíveis”.
O Estado de Direito tem o dever de se proteger contra seus “homicidas”

