O cultivo mineiro de cana-de-açúcar em 2023 impactou em um crescimento de 20% na geração de empregos no setor em comparação com 2022, totalizando a abertura de 540 empregos com carteira assinada. Esse aumento significativo é resultado, em boa parte, de uma safra que deve se provar recorde no estado, com mais de 80 milhões de toneladas produzidas.
O salto produtivo fez Minas Gerais subir da terceira para a segunda colocação entre os maiores produtores brasileiros, ultrapassando Goiás.
O cenário favorável não apenas reflete números positivos, mas transforma vidas, como a da analista de laboratório da Usina Coruripe, Ana Clara Lourenço Medeiros.
Aos 19 anos de idade, a moradora de Iturama, no Triângulo Mineiro, encara a oportunidade de emprego no ano passado como um divisor de águas. “Desde que comecei a trabalhar na usina, muita coisa mudou. Tive uma estabilidade financeira para ajudar os meus pais, consegui alcançar meu objetivo, que era ter um cargo de analista, um sonho meu, e várias conquistas, como a minha carteira de habilitação. Agora, vou atrás da minha moto”, conta a jovem, que planeja cursar uma graduação e evoluir na empresa e comprar a casa própria.
Os dados da geração de postos de trabalho no setor da cana-de-açúcar são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Já a estimativa da produção faz parte do 3º levantamento da safra 2023/2024, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O balanço fechado da safra tem publicação prevista para abril, quando provavelmente será comprovado o melhor desempenho da série histórica, com início em 2005/2006.
“Para processar todo esse volume de cana, foi necessária a contratação de mais funcionários diretos. Mas o setor também gera muitas oportunidades de forma indireta, porque tem uma cadeia longa, então a geração real de empregos deve ser ainda maior”, explica o empresário do setor e presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.
Planta de biometano
As perspectivas para 2024 são promissoras. Neste ano, o Triângulo Mineiro irá ganhar a sua primeira usina de biometano, um gás natural renovável produzido a partir da vinhaça, resíduo orgânico da cana. Esse biocombustível é altamente eficiente e tem baixo impacto ambiental.
“Além do açúcar, do etanol e da biodiversidade de energia elétrica produzida, nós teremos esse novo produto, gerando oportunidades em Minas Gerais”, comenta o presidente da Siamig.
A implementação da planta começou em outubro de 2022, no município de Tupaciguara, com um investimento inicial de R$ 30 milhões pela ZEG Biogás. A capacidade produtiva será de 4 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, porém com potencial para expansão, atingindo até 16 milhões de metros cúbicos anuais, com um aporte total estimado de R$ 120 milhões.
O biocombustível irá substituir o diesel na frota agrícola da Usina de Aroeira, contribuindo para a redução da pegada de carbono. A proposta visa aproveitar a vinhaça para fins próprios e comerciais. A expectativa é que a venda do biometano comece em abril.

