Logo após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da trama golpista, o advogado do ex-mandatário e parlamentares da oposição deixaram o plenário na tarde desta quinta-feira (11).

O criminalista Paulo Bueno saiu sem falar com a imprensa. Antes do início da sessão, ele havia declarado que esperava um voto baseado em “critérios técnicos e jurídicos” e confirmou a possibilidade de solicitar prisão domiciliar para Bolsonaro, devido ao quadro de saúde delicado do ex-presidente.

Bueno também afirmou que o voto do ministro Luiz Fux, único a defender a absolvição de Bolsonaro, abre espaço para recorrer a instâncias internacionais. “Com certeza isso pavimenta ações nas Cortes Internacionais. São teses muito caras”, disse o advogado, sugerindo que houve violação de direitos humanos no julgamento.

Seguindo o exemplo do defensor, os deputados tenente Zucco (PL-RS) e Evair de Melo (PL-ES), líder e vice-líder da oposição na Câmara, também deixaram o STF. Antes de sair, eles criticaram publicamente o voto da ministra Cármen Lúcia, responsável por formar a maioria pela condenação. “Eles acharam que nos enterraram, mas somos sementes. Fica registrado que a oposição vai trabalhar por uma anistia ampla e restrita”, afirmou Zucco. Em seguida, completou: “Nada de novidade. Não me entendam mal. É um teatro”.

O deputado Evair de Melo também se manifestou, classificando a decisão como negativa. “É um voto que mancha a história do país”, declarou.

Na noite anterior, os dois parlamentares haviam deixado o STF exaltando o voto de Fux, que consideraram “motivo de orgulho” para o país. Para eles, a posição do ministro dá novo fôlego à articulação política pela aprovação de uma proposta de anistia aos réus da trama golpista.

Foto: Ton Molina/STF

 


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