O presidente interino do Brasil, Geraldo Alckmin, conversou por telefone nesta quarta-feira com o vice-presidente da República Popular da China, Han Zheng, e manifestou preocupação com as salvaguardas adotadas pelo país asiático sobre a importação de carne bovina brasileira. A ligação teve duração aproximada de trinta minutos e ocorreu enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial no Panamá.

Desde o dia 1º de janeiro, a China passou a aplicar salvaguardas às importações de carne bovina, medida que atinge produtos do Brasil, da Austrália e dos Estados Unidos. As restrições têm validade prevista de três anos. No caso brasileiro, a regra estabelece a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre volumes que ultrapassem a cota anual de um milhão e cem mil toneladas.

Salvaguardas são instrumentos de defesa comercial acionados em situações específicas, geralmente com o objetivo de proteger setores sensíveis da economia nacional diante de aumentos expressivos das importações. No diálogo, Alckmin ressaltou a relevância estratégica da pecuária para a economia brasileira e destacou a importância do setor para o governo federal.

O Brasil tem na produção de carne bovina um dos pilares de sua pauta exportadora e um segmento fundamental para o desenvolvimento regional e a geração de empregos”, enfatizou Alckmin durante a conversa, segundo relato do Palácio do Planalto.

Além do tema comercial, os dois dirigentes trataram de investimentos bilaterais, com destaque para áreas como infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade. O objetivo, segundo o governo brasileiro, é ampliar parcerias e fortalecer projetos conjuntos que estimulem o crescimento econômico de ambos os países.

Durante a ligação, Alckmin e Han Zheng também destacaram o desempenho do comércio bilateral. Eles mencionaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio entre Brasil e China em 2025, “que alcançou novo recorde anual de US$ 171 bilhões”, reforçando a solidez da relação econômica entre os dois países.

Ambos reafirmaram o compromisso de manter o diálogo permanente com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais. “O entendimento e a cooperação são fundamentais para avançarmos em uma agenda comum de desenvolvimento”, pontuou Alckmin.

Ao final da conversa, o presidente interino convidou o vice-presidente chinês a visitar o Brasil durante a próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, a COSBAN, cuja data ainda será definida.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


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