O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a América Latina e o Caribe só conseguirão enfrentar seus desafios históricos se atuarem de forma integrada e cooperativa. A declaração foi feita nesta quarta-feira, durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá, onde o presidente brasileiro foi convidado especial e discursou logo após o chefe de Estado anfitrião, José Raúl Mulino.
Em sua fala, Lula destacou que a fragmentação política e econômica enfraquece a posição da região no cenário global. “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, afirmou o presidente, ao defender que os países latino-americanos e caribenhos utilizem de maneira conjunta suas potencialidades para ampliar sua relevância internacional.
Lula ressaltou que a região reúne “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” que, se articuladas de forma coordenada, podem sustentar um projeto mais autônomo de inserção na ordem mundial. Segundo ele, a integração regional não elimina diferenças nacionais, mas exige compromisso institucional e capacidade de conciliar interesses diversos.
Para o presidente, um dos entraves históricos é a falta de convicção das lideranças sobre os benefícios de uma estratégia conjunta. “Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista”, afirmou, ao defender que a região olhe para suas riquezas ainda pouco exploradas como base para o desenvolvimento compartilhado.
Entre esses ativos, Lula citou o potencial energético associado às reservas de petróleo e gás, à hidroeletricidade, aos biocombustíveis e às fontes renováveis, como energia eólica e solar, além da matriz nuclear. Ele destacou ainda a importância estratégica da maior floresta tropical do planeta e das condições favoráveis de solo, clima e tecnologia para a produção de alimentos.
O presidente também chamou atenção para os recursos minerais existentes na região. “Reunimos também recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital”, afirmou. Segundo Lula, esses recursos só fazem sentido se forem utilizados para promover desenvolvimento interno. “Minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento”, completou.
Lula lembrou que, somados, os países latino-americanos e caribenhos formam um mercado consumidor de mais de 660 milhões de pessoas, o que representa uma força econômica expressiva. Ele também ressaltou que a região não vive conflitos graves entre seus países e que, majoritariamente, seus governos foram eleitos democraticamente.
“A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções”, declarou. Para ele, o pragmatismo deve orientar a superação de divergências ideológicas e a construção de parcerias sólidas. “Essa é a única doutrina que nos convém”, disse.
Ao concluir, Lula afirmou que nenhum país da região conseguirá resolver isoladamente problemas estruturais. “Não há nenhuma possibilidade de qualquer país, sozinho, achar que vai resolver seus problemas”, declarou, ao defender a criação de um bloco capaz de enfrentar desafios como a fome e a desigualdade. O fórum segue até o dia 30, e Lula deve retornar ao Brasil ainda nesta quarta-feira.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

