A possível aliança entre Alckmin e Lula nas eleições presidenciais tem sido digerida com desconfiança por aliados do petista e pelas alas conservadoras. A guinada política do ex-tucano foi marcada pelo anúncio de sua filiação ao PSB na última sexta (18). Para o jornalista Fabio Zambeli, que acumula três décadas de cobertura política, os últimos anos de desgaste com o PSDB – especialmente após a aliança Bolsodoria – dão sentido às movimentações de Alckmin.
“Essa aliança é claramente uma resposta do Alckmin ao João Doria, ao grupo que assumiu o PSDB e o colocou para escanteio”, avalia o analista-chefe do Jota em São Paulo em entrevista à Renata Lo Prete, retomando o episódio em que Doria ofereceu ao padrinho político uma candidatura ao senado como “prêmio de consolação”.
“Ficou claro para o Alckmin que ele tinha que sair do PSDB”, diz Zambeli. Para o analista, o caso Doria é emblemático porque a ruptura com o ex-governador teria sido muito dura. Depois das eleições presidenciais de 2018, a relação azedou de vez.
“Nesse aspecto, é quase uma vingança política para o Alckmin mostrar para quem o descartou para planos maiores ser vice-presidente em um projeto nacional e retomar o protagonismo que faz todo sentido nesse contexto de resposta política que Alckmin quer dar para seus desafetos”, afirma.
As motivações de Alckmin, segundo Zambeli, não se encerram na ruptura com Doria.
“Ele [Alckmin] sempre foi visto como um personagem menor diante dos grão-tucanos. O episódio da morte do Tomás, o filho caçula, foi uma tragédia pessoal muito marcante. Esse ressentimento que ele carregava com o PSDB por nunca ter sido um tucano de alta plumagem fica mais aflorado de lá pra cá”, disse Zambeli.

