Aliados próximos de Jair Bolsonaro avaliam que, caso o ex-presidente seja condenado no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, ele não deverá solicitar o cumprimento da pena em prisão domiciliar. Para esse grupo, a expectativa de condenação é considerada praticamente certa, mas a postura de Bolsonaro seria de recusar o benefício.

Segundo interlocutores, a opção por cumprir a pena em uma unidade militar, como ocorre atualmente com o general Walter Braga Netto, serviria para manter a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. “A prisão domiciliar aliviaria a pressão sobre o STF”, dizem aliados, que veem na eventual prisão em unidade militar um instrumento para alimentar a narrativa de perseguição e mobilizar a base bolsonarista.

Além disso, para Bolsonaro ser beneficiado com a prisão domiciliar, seria necessário que sua defesa apresentasse formalmente o pedido ao STF após a condenação. Aliados próximos acreditam que, ao fazer esse pedido, Bolsonaro estaria reconhecendo a legitimidade da condenação, o que enfraqueceria seu discurso de inocência e perseguição política.

Do lado do governo Lula, especialmente entre interlocutores com trânsito no Judiciário, a avaliação é que, se Bolsonaro pedisse o benefício, o Supremo tenderia a concedê-lo. O histórico de saúde do ex-presidente, marcado por complicações no intestino desde a facada que sofreu em 2018, seria um fator relevante para a decisão.

A lembrança do caso do ex-deputado Nelson Meurer, que morreu após contrair Covid-19 sem ter conseguido prisão domiciliar, é considerada um trauma no STF. Para integrantes do governo que acompanham de perto a Corte, os ministros evitariam repetir um cenário semelhante, principalmente tratando-se de um ex-presidente da República.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil


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