A possível candidatura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao Senado por São Paulo, antes dada como certa nos bastidores da direita, passou a ser tratada como uma incógnita diante de sua permanência prolongada nos Estados Unidos e da ausência de uma data definida para retorno. A mudança de cenário alimenta especulações entre aliados, que já cogitam nomes para substituí-lo em caso de desistência. O parlamentar é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura sua suposta atuação contra autoridades do Judiciário brasileiro em articulações internacionais.
A postulação de Eduardo é defendida por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que alega ter direito a uma indicação ao Senado em São Paulo como parte de um acordo político com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em maio, Tarcísio sinalizou preferência por Guilherme Derrite, secretário estadual de Segurança Pública, que deixou o PL e ingressou no PP com vistas a disputar o Senado. A articulação também prevê a inclusão do União Brasil, partido com o qual o PP deve formar uma federação em 2026.
Com a ausência de Eduardo, líderes políticos próximos ao Palácio dos Bandeirantes avaliam, em caráter reservado, que o vácuo abriria margem para Tarcísio renegociar os espaços da coligação. A aliança pode reunir partidos como PL, Republicanos, PSD e MDB, além de União e Progressistas, todos com bancadas expressivas no Congresso, acesso robusto aos fundos eleitoral e partidário, e tempo relevante na propaganda gratuita de rádio e TV.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, chegou a afirmar que Eduardo Bolsonaro retornaria ao Brasil até o fim de julho, após completar quatro meses de licença da Câmara dos Deputados — afastamento iniciado em 20 de março. No entanto, há quem defenda que Eduardo poderia disputar o Senado mesmo sem estar presente fisicamente no país, desde que mantenha domicílio eleitoral regularizado.
O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que a condução de uma campanha desde o exterior enfrentaria sérias barreiras. “Haveria risco jurídico e político. Além disso, faltariam elementos fundamentais às disputas majoritárias, como presença em debates e eventos, além da prestação de contas regular”, afirmou.
Enquanto isso, o cenário eleitoral paulista segue indefinido. Interlocutores avaliam que é cedo para fechar acordos, especialmente diante da possibilidade de Jair Bolsonaro se colocar como candidato à Presidência, mesmo estando inelegível, o que trava o avanço de uma possível candidatura presidencial de Tarcísio. Há quem veja, no entorno do governador, a sucessão estadual como peça-chave para fragilizar Lula e o PT em nível nacional — Tarcísio poderia atrair legendas atualmente alinhadas ao Planalto.
Entre os nomes que despontam para uma eventual disputa pelo governo paulista estão o secretário de Governo Gilberto Kassab (PSD), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL). Também são citados o vice-governador Felício Ramuth (PSD) e o ex-governador Rodrigo Garcia, atualmente sem partido, mas em articulação com o MDB.
No campo da direita, além de Eduardo Bolsonaro e Derrite, o deputado federal Ricardo Salles (Novo) também sonha com uma candidatura majoritária, embora esteja politicamente isolado.
Na esquerda, o PT cogita lançar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo ou ao Senado, apesar de o próprio ministro afirmar que não pretende concorrer. Uma ala petista avalia que uma candidatura mais ao centro teria mais viabilidade para vencer o bolsonarismo em São Paulo. Nesse contexto, o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece com força, especialmente pelo recall no interior do estado. O PSB, por sua vez, pressiona pela manutenção da chapa Lula-Alckmin e cogita lançar o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, que foi governador interino e disputou o cargo em 2018, quando perdeu para João Doria.
Com informações do O Globo.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

