André Quintão (PT), candidato a vice-governador na chapa de Alexandre Kalil (PSD), defendeu um Estado forte para desenvolver políticas públicas de qualidade na educação, saúde, segurança pública e prestar assistência social à população mais vulnerável. “O Estado deve ser ativo nas questões fundamentais que dizem respeito à população. Muitas pessoas, a maioria, infelizmente, no Brasil e em Minas, não tem condição de ter escola privada, saúde privada, segurança privada”.
Sua posição se contrapõe à “visão privatista” do atual governo que, segundo o candidato, “quer privatizar a gestão de hospitais, das escolas públicas, empurrar as escolas públicas para os municípios, vender o nosso patrimônio público – a Cemig, a Copasa, a Codemig”.
O deputado estadual, que está em seu quinto mandato, lembrou do embate com o poder Legislativo sobre a questão: “Impedimos isso na Assembleia porque seria prejudicial para o cidadão e a cidadã de Minas Gerais. Infelizmente, a visão do atual governador é privatista, de entrega do patrimônio público”. Para o candidato, o Estado deve atuar como regulador de determinadas atividades, aliado a um controle social.
As declarações ocorreram durante debate com outros candidatos ao posto de vice-governador, realizado em Varginha, no Sul de Minas, e promovido pela EPTV, afiliada da Rede Globo, e pelo site G1, na tarde desta terça-feira, dia 20 de setembro. Participaram também os candidatos Ana Azevedo, do PSOL; Wanderley Amaro, do PL; Paulo Brant, do PSDB e Mateus Simões, do Novo.
Assistência Social
Durante as rodadas de perguntas e respostas, Quintão destacou a importância do combate à extrema pobreza, que atinge 4,5 milhões de mineiros, e à fome, atualmente afligindo 2 milhões de pessoas em Minas, e criticou o slogan de campanha do adversário:
“Que casa arrumada essa? Que Minas está nos trilhos é isso? Com tanta gente pobre e tanta omissão na questão social. Se o governador alugou uma casa, foi a casa grande. Para alguns bilionários que influenciam muito o seu governo”. E reafirmou que “o governador vai deixar Minas Gerais com uma dívida superior a R$ 50 bilhões em relação ao que ele assumiu”.
Quintão rebateu a crítica de que o governo anterior, quando ele era secretário de Assistência Social, tenha sido omisso nas políticas públicas e não realizado repasses. “No breve período em que eu estive à frente da secretaria, todos os pagamentos foram feitos em dia. E a regularização do pagamento do piso mineiro de Assistência Social, aliás, que é lei de minha autoria, só ocorreu porque nós aprovamos na Assembleia o Fundo de Erradicação da Miséria”. E criticou a postura do Partido Novo, que foi contra o projeto. “Eu defendi em plenário, mesmo sendo líder da oposição, porque a questão social deve estar acima de questão partidária”.
Servidores públicos
O candidato do PT lembrou que “o Estado tem que fazer a sua parte para induzir e garantir o desenvolvimento, inclusive para a própria iniciativa privada”. E questionou a atuação da gestão Zema:
“Como é que se vai ter desenvolvimento se as nossas estradas estão destruídas, se a logística não está sendo devidamente organizada e planejada? Se os nossos trabalhadores da educação, que sustentam a nossa rede pública estadual, não são respeitados? Se o governador é capaz de encaminhar para a Assembleia um acordo com as forças de segurança pública, tão respeitadas por todos, e depois romper o acordo feito após a própria Assembleia ter votado e aprovado o projeto”?
“Essa visão quase que de depreciação dos órgãos públicos e dos servidores não ajudam o desenvolvimento social humano, ambiental, econômico e cultural do nosso Estado. Infelizmente, o atual governador não dialogou com os servidores e servidoras públicas. Quem perde é a população”.
Educação
A educação, um dos temas mais caros aos candidatos Alexandre Kalil e André Quintão, foi abordada em um dos seus pontos mais delicados: a atual de desvalorização do servidor público e dos professores, que não recebem nem mesmo o piso determinado pela lei federal, o que, segundo Quintão, é “uma injustiça”. Ele apontou, mais uma vez, a falta de diálogo do atual governo com as representações sindicais, que foi à Justiça pedir para não cumprir o que a lei determina.
“Temos no plano de governo e, principalmente na nossa prática, um compromisso com a educação. O nosso candidato a governador, Alexandre Kalil, mostrou em Belo Horizonte o seu cuidado com a política pública de educação, principalmente no ensino infantil, com as UMEIs e no diálogo com os trabalhadores e trabalhadoras”, declarou o candidato. A gestão das UMEIs em Belo Horizonte foi destacada por adversários como um exemplo de sucesso da gestão de Kalil na prefeitura.
Kalil ampliou a rede de parcerias com creches, criou programas de aprimoramento de professores e de incentivo à leitura, aumentando as aquisições de bibliotecas, deu aumento significativo aos professores, valorizando os profissionais de ensino, garantiu merenda de qualidade para os alunos e sua administração na educação infantil tornou-se referência no país.
“Somos contra esse processo de municipalização atabalhoado do governo do Estado, que quer repassar para os municípios a sua responsabilidade. Somos contra a gestão privada da educação pública. As pessoas mais pobres, das regiões mais distantes, e mesmo outras regiões que têm camadas de trabalhadores e trabalhadoras que precisam do ensino público e dependem de uma educação valorizada. A nossa proposta é outra, é cuidar das pessoas e fortalecer a educação pública. E foi isso que o Kalil fez em BH”.
Pandemia
Quintão também recordou a falta de apoio à educação do governo do Estado durante a pandemia, destacando a crise sanitária e seu impacto nas escolas.
“Com a pandemia e no pós-pandemia, temos um abismo da aprendizagem entre aquelas crianças e jovens que tiveram acesso ao ensino remoto e aquelas que não tiveram. Há uma defasagem de aprendizagem, há um aumento da evasão escolar. Qual é a iniciativa do governo estadual para salvar essas crianças do tráfico, do crime, do subemprego, quando tiverem idade de trabalhar?”
Para Quintão, é preciso um programa para resgatar o processo pedagógico para essas crianças e jovens, com o apoio do governo federal. “E vamos fazer isso em Minas, com o apoio do presidente da República, do presidente Lula, que foi quem mais investiu em educação no nosso país. Tenho certeza que Lula e Kalil vão fazer a educação de Minas avançar, olhando principalmente para aquelas pessoas que mais precisam”.
A postura de omissão e inércia do governo Zema diante da pandemia foi alvo de críticas de todos os candidatos durante o debate. “A pergunta que eu faço é o seguinte: o que o Estado fez? Qual foi a medida? E qual foi a atitude proativa para diminuir o sofrimento do povo mineiro?”, questionou um dos candidatos.
Quintão disse ter uma avaliação “muito crítica do que o governador não fez na pandemia”. “Aqui em Minas, ele não incentivou, por exemplo, a nossa Funed (Fundação Ezequiel Dias, referência nacional em pesquisa e produção de vacinas), uma fundação que poderia ter desenvolvido em parceria com a UFMG uma vacina mineira. O governador, no ápice da pandemia, disse que o vírus tinha que viajar. Foi absolutamente tímido na ampliação da rede de proteção social para acolher aquelas pessoas que mais precisam”.
O candidato fez questão de marcar a diferença de postura do prefeito Kalil ao lidar com a pandemia em Belo Horizonte, fato que lhe rendeu o título de capital que melhor soube administrar a pandemia. “Kalil seguiu a ciência, fortaleceu o Sistema Único de Saúde e cuidou das pessoas mais pobres. Foram 5 milhões de cestas básicas distribuídas e o Auxílio Belo Horizonte, um programa de transferência de renda. Infelizmente, Minas ficou para trás na pandemia e muita gente morreu”.
Violência contra a mulher
Outro ponto sensível no Estado é o fato de que Minas Gerais lidera as estatísticas de feminicídio no país. Em 2021, foram 154 casos, três a mais que em 2020. E até maio deste ano foram 142 registros de feminicídios tentados ou consumados, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado.
Para Quintão, o feminicídio é “uma das questões que causam mais revolta em qualquer cidadão, em qualquer ser humano”. “Infelizmente, Minas Gerais está no topo do feminicídio. Eu não penso como o governador, que acha que feminicídio é instinto humano”.
O candidato apontou o caminho para a solução do problema: “Precisamos ter políticas públicas de prevenção, de proteção. Temos que ter acolhimento para as mulheres vítimas de violência. Ela não pode continuar convivendo com o agressor. Nós precisamos de fortalecer as delegacias especializadas de combate aos crimes contra mulheres”. E enfatizou a necessidade de uma “integração do governo federal com os governos locais e com sistema de Justiça. “Nós temos uma legislação, a Lei Maria da Penha. Não é questão de instinto humano, as pessoas têm que ser punidas. Isso é uma barbaridade”.
Quintão ainda citou o caso ocorrido nesta terça-feira, em Alfenas. “Hoje mesmo teve um caso bárbaro de feminicídio aqui no Sul de Minas. Nós precisamos de um governo que lidere efetivamente o combate ao feminicídio em Minas Gerais e no Brasil. Não pode ser uma questão naturalizada”.
“O governador, além de ser um bom gestor, qualquer um que seja eleito, é sua responsabilidade, ele tem também ser um líder, liderar causas civilizatórias, combater o feminicídio. Ele não pode achar que o programa de transferência de renda é para mãe ou pai de família comprar pinga, que mulher tem obsessão em atacar ou perseguir o ex-cônjuge ou que feminicídio é instinto humano. Nós precisamos é de um líder que emana coisas boas, bons valores, é disso que o Brasil e Minas estão precisando nesse momento”.
E completou: “Nós trabalharemos juntos. O governo de Minas e o governo federal, com o presidente Lula, em políticas públicas, cuidando das pessoas. Foi isso que o ex-prefeito Kalil fez em Belo Horizonte, na assistência social, na saúde e na educação, e vai fazer com o apoio do presidente Lula”.

