A Igreja Batista da Lagoinha divulgou, neste fim de semana, um vídeo do pastor André Valadão com o objetivo de esclarecer aos fiéis a relação da instituição com o chamado caso Master. A manifestação ocorre após o fechamento da unidade Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, ligada ao empresário Fabiano Zettel, preso pela Polícia Federal sob suspeita de participação em um esquema de fraudes envolvendo o banco do empresário Daniel Vorcaro.

Na gravação, exibida em diversos templos da igreja, Valadão adotou um tom de pesar ao comentar o episódio. Ele pediu desculpas aos membros da congregação e afirmou não ter qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas. Segundo o pastor, a ligação entre seu nome e o escândalo não corresponde à realidade dos fatos.

Durante o pronunciamento, o líder religioso ressaltou que a Igreja Batista da Lagoinha não possui vínculo institucional com as atividades que estão sendo apuradas pelas autoridades. Ele destacou que fez questão de se dirigir diretamente aos fiéis para afastar dúvidas e reafirmar sua posição diante das acusações.

O caso ganhou repercussão após a prisão de Fabiano Zettel, que era responsável pela unidade da Lagoinha no bairro Belvedere. A igreja informou que o empresário já havia sido afastado de suas funções desde novembro de 2025, quando surgiram as primeiras suspeitas sobre seu envolvimento no esquema investigado.

A relação entre Valadão e Zettel, no entanto, não é recente. Em ocasiões anteriores, o pastor chegou a mencionar publicamente que conhecia o empresário desde antes de sua conversão religiosa. Além disso, em 2018, Valadão celebrou o casamento de Zettel com Natália Vorcaro, irmã do dono do Banco Master, o que reforça a proximidade entre os envolvidos.

Outro ponto que chama atenção é a ligação antiga entre Valadão e Daniel Vorcaro. Ambos participaram, na juventude, de programas da Rede Super, emissora ligada à Igreja Batista da Lagoinha, com foco na música gospel. Apesar dessa relação pregressa, o pastor afirmou que não possui qualquer participação em transações financeiras relacionadas ao caso.

No vídeo, Valadão também sugeriu que a associação de seu nome ao escândalo pode estar relacionada ao contexto político atual. Segundo ele, o período eleitoral favorece a disseminação de ataques à imagem de lideranças religiosas, com o objetivo de enfraquecer sua credibilidade perante a sociedade.

O pastor reiterou que nem ele nem a organização Lagoinha Global, que preside, mantêm qualquer vínculo com as atividades investigadas. Ele destacou ainda que a estrutura administrativa da igreja não envolve a gestão financeira direta das unidades locais, que possuem autonomia em suas operações.

A unidade Lagoinha Belvedere, construída sob responsabilidade de Zettel, foi inaugurada no ano passado em uma área de grande valorização imobiliária na capital mineira. O espaço ocupa cerca de 14,4 mil metros quadrados e possui alto custo de manutenção, o que também contribuiu para a repercussão do caso.

Ao final da declaração, Valadão voltou a pedir desculpas aos fiéis e reconheceu que se sente abalado com a situação. Ele afirmou ter sido surpreendido pelas informações divulgadas e lamentou ter confiado em pessoas que, segundo ele, não condiziam com os valores esperados dentro da comunidade religiosa.

O episódio segue sendo investigado pelas autoridades e continua gerando repercussão entre membros da igreja e na opinião pública, especialmente em Belo Horizonte, onde a unidade envolvida no caso estava instalada.

Foto: Reprodução


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