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O Brasil completa, hoje, dois anos de uma batalha ainda a ser vencida contra a COVID-19, e, agora, marcada pelo dilema da cobertura vacinal.

Após atrasos no acesso à vacina, um balanço superior a 640 mil mortes provocadas pela doença respiratória – número que representa ao redor de 11% dos óbitos no mundo –, negacionismo e fake news sobre a infecção viral, o desafio é fazer com que ao menos 50% da população seja imunizada com a dose de reforço.

A despeito do recente avanço da cepa Ômicron, com alto poder de contágio, os indicadores da infecção viral voltaram a recuar. A expectativa é de que a partir de março a ciência, que tanto aprendeu sobre o coronavírus, possa discutir a mudança de status de pandemia para endemia.

O infectologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explicou que num cenário de endemia, ondas sazonais de contaminação não deixarão de existir, mas o impacto delas será menor, tanto em internações hospitalares quanto na forma de casos graves que levam à morte.

Outra consequência de um novo patamar de caracterização da COVID-19 será a progressiva liberação de protocolos sanitários e medidas mais restritivas ao funcionamento das atividades econômicas, como toque de recolher, lockdown, fechamento de atividades não essenciais e, inclusive, o uso de máscara.

Ainda assim, preocupam as possibilidades de novo recrudescimento de contaminações depois do carnaval e a possibilidade de surgimento de outra cepa altamente transmissível do coronavírus. No entanto, Julio Croda considera uma perspectiva mais positiva.

“Pode diminuir a velocidade de queda da curva de casos, de hospitalizações e óbitos, mas se não houver uma nova variante que tenha maior transmissibilidade, teremos uma retomada da onda epidêmica”, afirma o pesquisador, que é também presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT).

Croda alerta que o país precisa avançar na cobertura vacinal da dose de reforço, chegando, pelo menos, a 50% de toda a população imunizada com a 3ª dose. A maioria desse público deve ser de idosos, ressalta o pesquisador da Fiocruz.

“Os idosos precisam de mais doses de reforço, para se protegerem ainda mais em hospitalização e óbito porque são o grupo ainda mais vulnerável. Das pessoas não vacinadas, é a população em geral com risco extremamente elevado”, destaca.

Na avaliação de Croda, o Ministério da Saúde deve abraçar duas estratégias nessa nova etapa de enfrentamento à doença, ambas ligadas à cobertura vacinal. Além de dar continuidade à imunização da população em geral, será preciso intensificar a aplicação das doses de reforço no público acima de 50 anos.

As estimativas são de que 79,8% dos brasileiros com mais de cinco anos se vacinaram com a primeira dose de imunizante e 73% foram protegidos com a segunda injeção.

O placar em Minas Gerais supera a média nacional, com 85,8% da população acima de 5 anos imunizada com a primeira dose e 80,8% receberam a segunda injeção. O reforço foi aplicado em 41,6% dos mineiros, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

A vacinação, como observa o infectologista Julio Croda, garante proteção, principalmente, de reposta celular que previne hospitalização e óbitos.

“À medida que avançamos na vacinação, a letalidade associada à doença deve diminuir, assim como o risco de hospitalização e óbito e, portanto, menos impacto terá a doença na sociedade”, afirma o pesquisador da Fiocruz.

Ele acredita que a partir de março já será possível pensar em tornar o status de pandemia para endemia, quando se manifesta em determinada região e os serviços de saúde já estão preparados. “É possível, mas ainda precisamos ter uma queda na média móvel de hospitalização. Estamos na queda da média móvel de casos, internações e a próxima média móvel que deve cair é a hospitalização.”

Fake news 

Em 26 de fevereiro de 2020, o Brasil confirmou o primeiro caso de COVID-19, em São Paulo, com a contaminação de um homem de 61 anos que havia viajado para a Itália.

A grande preocupação das autoridades públicas de saúde é de uma nova onda da infecção após o feriado de carnaval. Embora as festividades nas ruas tenham sido canceladas, pelo segundo ano, para evitar a disseminação do vírus, ainda geram alerta.

Julio Croda considera que, em um cenário favorável, a velocidade da transmissão vai ser reduzida e vai levar mais tempo para atingir indicadores pré-Ômicron.

“Com as coberturas vacinais similares às da Europa, com 50% a 60% da população com dose de reforço e com indicadores de casos e hospitalizações, que já estão em queda, mas principalmente de óbitos, que deve iniciar a queda antes do carnaval, a partir do meio de março, se esses indicadores forem similares ao período pré-Ômicron com elevada cobertura de doses de reforço, podemos pensar em diminuir medidas restritivas”, avalia.

A liberação pode começar a ser feita pelo fim do uso de máscaras ao ar livre, com risco menor em locais de baixa transmissão do vírus, e, depois, pela retirada de máscaras em locais fechados. O passo seguinte será avaliar o isolamento ainda recomendado, e o isolamento em casos confirmados da doença.

Contudo, ele pondera que, para isso, as iniciativas do governo federal devem privilegiar comunicação mais assertiva com a população. “É importante que o Ministério da Saúde faça esse contraponto, principalmente no que diz respeito à dose de reforço. A gente tem cobertura muito baixa de doses de reforço no Brasil. Precisamos avançar – existe vacina disponível, é importante uma comunicação assertiva, uma busca ativa, e do combate à disseminação de informações falsas através de aplicativos de mensagens e de redes sociais”, conclui.

Fonte: Fiocruz


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