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É difícil imaginar que os articuladores do Partido Novo queiram de fato que o jornalista Eduardo Costa seja vice em uma chapa com Romeu Zema. Concluir que o convite é para valer só reforçaria que membros da legenda continuam tendo enorme dificuldade de entender como funciona o cenário político e as articulações que levam à construção de alianças, mesmo após quatro anos de governo.

Como foi feito o processo, é mais provável que o objetivo tenha sido apenas desestabilizar as conversas feitas pelos tucanos com outros aliados do Executivo. Hoje, é remota a possibilidade de o PSDB aceitar que um membro de sua federação com o Cidadania componha a chapa do governador. Já era difícil se fosse feito pelas vias corretas. Como se deu foi pior ainda.

Do ponto de vista de Zema, ter Eduardo Costa como vice seria uma boa escolha para quem precisa melhorar seus índices na região metropolitana. O jornalista é conhecido, tem pouca rejeição, comunica-se muito bem e seria um bom contraponto à maneira direta usada pelo ex-prefeito Alexandre Kalil para falar com o eleitor, sobretudo aquele mais simples.

Considerando o potencial de crescimento que Kalil apresenta em sua associação com Lula, ter Eduardo Costa na chapa poderia ajudar Zema a ganhar uma perspectiva e seria mais útil no momento do que a composição com um deputado que, lá na frente, contribuiria muito mais com a governabilidade que o Novo precisará ter.

Ocorre que, levando-se a sério essa proposta confirmada por Zema e por Costa, se o Novo acertou na escolha, errou na articulação. Na federação com o Cidadania, o PSDB é majoritário e é quem vai decidir como isso vai se desenrolar. Entre os tucanos, há certo choque com a maneira como o assunto foi conduzido e há diversos motivos para lutar contra qualquer composição que empurre a legenda de volta pro colo de Romeu Zema.

O primeiro deles é que o PSDB sente-se desrespeitado pelo Novo. A legenda foi uma das poucas que ajudou o governador a governar, tem o atual vice, Paulo Brant, e foi escanteada nas negociações nas quais Zema priorizou outros partidos e lideranças.

Foi por se sentirem desvalorizados que os tucanos articularam a candidatura de Marcus Pestana e começaram a trabalhar para tirar outros aliados de Zema. A maneira como Paulo Brant é tratado pelo Novo não é tolerada pelo PSDB. E isso explica a razão pela qual o vice-governador foi citado de forma enfática na nota em que os tucanos sustentam a disposição de manter a candidatura de Pestana.

Há um segundo fato que é o interesse de deixar aberto o espaço para que o deputado federal Aécio Neves possa disputar o Senado. Ele aparece na liderança das pesquisas e não teria oportunidade na chapa de Zema, sobretudo se outro nome da federação ocupasse a vice.

A candidatura construída hoje em torno de Pestana, mas que, com uma composição com outros partidos poderia até ser cedida para outra legenda, mantém o espaço para que Aécio, mais adiante, possa optar por essa alternativa. Também não é por acaso que a hipótese de “um deputado federal” compor a chapa (leia-se Aécio ao Senado) foi colocada na nota tucana.

Um terceiro ponto é o pensamento dos tucanos sobre o futuro da legenda e do cenário político em Minas. Pessoas que estão próximas dos principais personagens dessas articulações afirmam que, para o PSDB, interessa mais uma eventual vitória de Kalil no segundo turno do que a de Zema.

O entendimento é de que, uma vez derrotado, o Novo voltaria ao seu tamanho original, reabrindo o espaço para que o PSDB pudesse fazer oposição ao novo governador, da mesma forma que no cenário nacional. Com a aposta de que Lula vencerá, e com Kalil cada vez mais ligado à esquerda, o PSDB poderia retomar a oposição mais à direita que não conseguiria com o Novo no poder.

Diante de tudo isso, volto ao ponto inicial. Se Zema quisesse mesmo ter Eduardo Costa como vice, deveria, lá atrás, no período de filiações partidárias, ter trabalho por encaixá-lo a um partido que decidiria sozinho seu futuro. Como foi colocado, ganhou apenas um fato novo e colocou uma pulguinha atrás da orelha de quem está cogitando apoiar os tucanos, com a dúvida sobre se a candidatura desse grupo é para valer.

O PSDB age rápido para impedir qualquer dúvida e, de quebra, tenta convencer outros possíveis aliados de Zema de que não dá para confiar no Partido Novo. Isso poderia esvaziar ainda mais a aliança do governador o que, inclusive, é de interesse de alguns na legenda do governador e que sonham com uma chapa pura.

 


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