Após reunir milhares de apoiadores no último domingo (25) em um ato na avenida Paulista, em São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso sobre as acusações de ter planejado um golpe de Estado junto com outros membros do antigo governo e até das Forças Armadas.

As declarações de Bolsonaro serão incluídas nas investigações sobre o caso pela Polícia Federal (PF), revelou nesta segunda-feira (26) o jornal O Globo. Durante o protesto, o ex-presidente comentou sobre a chamada “minuta do golpe”, documento que foi localizado na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Segundo Bolsonaro, o papel não representava nenhum plano antidemocrático. “O que é golpe? É tanque na rua, é arma, conspiração. Nada disso foi feito no Brasil […]. Porque continuam me acusando de golpe? Porque agora tem uma minuta de um decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Tenham santa paciência. Estado de sítio começa com o presidente da República convocando os conselhos da República e da Defesa”, afirmou aos apoiadores.

O ex-presidente, que não citou nomes, disse que é vítima de “perseguição” e ainda pediu anistia a todos os envolvidos nos atentados contra as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

“Pedimos um projeto de anistia para que seja feita justiça no Brasil. Quem porventura depredou, que pague, mas essas penas fogem ao mínimo da razoabilidade”, afirmou.

Ex-presidente não respondeu questionamentos

Em depoimento à PF na última semana, Bolsonaro permaneceu em silêncio e não se pronunciou sobre nenhuma acusação.

A inquirição é fruto de uma investigação que os aponta como suspeitos de tramar um golpe de Estado nos últimos meses do governo anterior, em 2022, tentando impedir, inclusive, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tomar posse em 2023.

No último dia 15, a PF informou que o ex-presidente Jair Bolsonaro enviou dinheiro aos Estados Unidos para bancar despesas enquanto aguardava o golpe de Estado com base na apuração da venda ilegal de joias e presentes para a Presidência da República pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid, a mando de Bolsonaro.

De acordo com as apurações, a quebra de sigilo bancário do ex-mandatário mostrou uma operação de câmbio no valor de R$ 800 mil.

No último dia 8, a PF já havia prendido e executado mandados de busca contra aliados militares e civis do ex-presidente. No mesmo dia, Bolsonaro foi ordenado a entregar seu passaporte para não fugir do país.

A operação Tempus Veritatis apura uma suposta organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito para obter vantagem de natureza política com a manutenção de Jair Bolsonaro no poder.


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