Só no primeiro trimestre deste ano foram 400 atendimentos, contra 357 registrados no mesmo período de 2021, explica o médico Adebal Andrade Filho, coordenador do Departamento de Toxicologia do Hospital João XXIII, em BH.
O hospital é referência no socorro de vítimas de acidentes com animais peçonhentos e venenosos e recebe pacientes de várias regiões de Minas. Os casos de escorpionismo são, de longe, os mais comuns e, em todo o Estado, foram 8 mil notificações neste ano, registradas até o último dia 18, segundo a Secretaria de Estado de Saúde.
Animais peçonhentos são aqueles que, para caçar ou se defender, têm a capacidade de inocular substâncias tóxicas por meio de órgãos como os dentes das serpentes ou o aguilhão na ponta da cauda do escorpião. No caso dos venenosos, as toxinas só entram no corpo das vítimas através do sistema digestivo, respiratório ou pela pele. É o caso das lagartas, por exemplo.
O biólogo Fabrício Ker, de 39 anos, conta que, só neste ano, já sofreu duas queimaduras por contato com este tipo de inseto. Em janeiro, depois de calçar o tênis sentiu dor. E, ao retirar o calçado, percebeu que tinha esmagado uma lagarta.
“A gente tem horta e tinha lagarta lá. Por causa da pandemia, nós nos habituamos a deixar uma sapateira na entrada da casa. Me distraí e calcei sem checar se tinha algum bicho dentro. Foi simples. Mas poderia ter sido grave. Estamos em região de escorpião”, comenta preocupado.
Depois do acidente, os cuidados na hora de colocar os sapatos foram redobrados, especialmente, com a filha de 4 anos. Porém, dois meses depois, ele sofreu outra queimadura, quando apanhava uma goiaba em uma rua do bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital.
“Senti queimar a mão e logo uma sensação de formigamento no braço todo e embaixo da axila. Procurei orientação com um médico e fiquei em observação. Não houve mais sintomas ou complicações”.
Em Belo Horizonte, a Zoonoses orienta a população sobre medidas que devem adotar de modo evitar o apareciemento dos escorpiões:
• Manter os quintais e jardins limpos – sem acúmulo de folhas secas e lixo;
• Eliminar as fontes de alimento para os escorpiões, como baratas, aranhas e grilos.
• Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados;
• Limpar os terrenos baldios próximos aos imóveis;
• Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados;
• Evitar queimadas em terrenos baldios, pois essa prática desaloja os escorpiões;
• Rebocar as paredes internas e externas para não apresentarem frestas;
• Colocar telas nas aberturas dos ralos, pias ou tanques;
• Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados.

