Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a defender uma reação mais incisiva do governo diante do agravamento da crise institucional e dos resultados recentes das pesquisas eleitorais. Entre as medidas sugeridas estão a convocação do Conselho da República e a apresentação de uma proposta para estabelecer mandatos aos futuros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Interlocutores diretos de Lula na Esplanada dos Ministérios consideram necessária uma nova conversa urgente entre o presidente e o chefe do STF, Edson Fachin. O objetivo seria avaliar os próximos passos e construir uma solução capaz de reduzir a tensão entre integrantes da Corte, o governo federal e a Polícia Federal.
Na avaliação desses auxiliares, a superação da crise passaria pela abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, pelo afastamento de André Mendonça das relatorias dos casos relacionados ao Banco Master e às fraudes no INSS e pelo encerramento do inquérito das fake news. Integrantes do governo avaliam que Mendonça teria perdido a imparcialidade necessária para continuar conduzindo as investigações.
A preocupação no Palácio do Planalto também envolve o desempenho eleitoral de Lula. Pesquisa Nexus divulgada nesta terça-feira (8) mostrou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, numericamente à frente do petista em uma simulação de segundo turno. Para assessores presidenciais, a crise envolvendo o Supremo poderá ter peso superior ao de temas como economia, segurança pública e soberania nacional na reta final da campanha.
Pessoas próximas ao gabinete presidencial defendem que o governo não continue adiando uma posição sobre eventuais investigações contra Moraes. A manifestação não precisaria ocorrer publicamente, mas poderia ser transmitida a Fachin, a quem caberia conduzir uma saída institucional para o conflito.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem destacado que Lula poderá indicar outros quatro ministros para o STF até 2030, caso seja reeleito em outubro. Como resposta, interlocutores do presidente avaliam que ele deveria apoiar imediatamente uma mudança constitucional para fixar mandatos de dez ou 15 anos para os futuros integrantes da Corte.
Outra sugestão apresentada a Lula é a convocação extraordinária do Conselho da República. O colegiado assessora a Presidência em situações de crise e reúne representantes do Executivo, os presidentes do Senado e da Câmara, líderes da maioria e da minoria no Congresso e integrantes da sociedade civil.
A proposta, contudo, divide opiniões dentro do governo. Uma ala considera que a reunião demonstraria disposição para enfrentar a crise por meios i1 nstitucionais. Outros auxiliares alertam que a convocação poderia ampliar a exposição do tema, aumentar a instabilidade e causar prejuízos à campanha de reeleição.
O comitê petista também defende que Lula reaja como presidente ao afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, determinado pelo ministro André Mendonça. A primeira medida será a apresentação de um recurso pela Advocacia-Geral da União (AGU).
O governo pretende argumentar que a decisão viola uma competência privativa do presidente da República, responsável pela indicação do chefe da Polícia Federal. A contestação deverá ser apresentada ainda nesta terça-feira. Paralelamente, Lula deve solicitar com urgência uma nova reunião com Fachin para discutir o afastamento de Andrei, a atuação dos ministros envolvidos e as alternativas institucionais disponíveis para impedir o aprofundamento da crise.
Segundo auxiliares, o presidente ainda não decidiu se acolherá as sugestões, mas considera necessária uma resposta coordenada entre Planalto, Congresso e Supremo.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

