Escuta ativa. Respeito pela história de vida de cada mulher. Apoio para que a vida possa continuar, apesar dos desafios. Esses são os princípios da Casa de Acolhimento para gestantes e puérperas em situação de rua de Belo Horizonte.

O local, que foi inaugurado pela Prefeitura de Belo Horizonte no começo de setembro, é pioneiro no Brasil e tem capacidade para acolher até 20 mulheres. Neste período, a casa já tem sido mais do que um novo endereço para três mães e seus bebês. Tem sido lugar de recomeço.

A Natália Mariana, de 33 anos, e dois, dos três filhos dela, Cauã, de 2 anos, e Tayná, de 1 mês, chegaram na casa logo no início do projeto. Foram acolhidos, com roupas, alimentos, local para dormir, tomar banho e, vivenciar algo que há muito ela não sentia: afeto.

“Eu vivia na rua, estava quase em depressão por ter perdido meu pai. Ficava com meu filho no colo, e com minha filha na barriga, batendo de porta em porta, pedindo ajuda, dormindo e vivendo nas ruas, quase perdendo meu filho. Aqui está sendo muito bom. É praticamente uma segunda casa, uma segunda família para mim”, conta a mulher enquanto amamenta a filha caçula e vê o mais velho sendo cuidado por uma profissional da equipe.

“Eu vim direto do hospital onde ela nasceu pra cá. Uma psicóloga conversou comigo, e o pessoal do SUS trouxe a gente aqui. Agora, o que eu mais quero, é um dia poder ter uma casinha e morar com meus filhos”, planeja.

A construção dos sonhos faz parte da rotina de atividades na Casa de Acolhimento. Segundo a coordenadora do local, Edilane Lima, a partir de escutas ativas, a equipe trabalha para propiciar oportunidades para que as mulheres e seus filhos tenham uma vida feliz e saudável.

“Nossa equipe realiza conversas diárias com as mulheres para entender como eram as vidas antes e quais expectativas elas têm para o futuro.  A partir dessas escutas, o trabalho é construído com o resto da equipe. Tem atividades ao ar livre, brincadeiras, tudo bem lúdico para fortalecer também o vínculo das mães com filhos”, explica.

Ainda segundo a coordenadora, as mulheres chegam até lá com um histórico de vida interrompida, com traços de violação de direitos.

“Elas chegam autoestima baixa, receosas, desconfiadas, sem perspectivas, mas com a acolhida, elas vão se soltando, passam a ter mais segurança e empoderamento por elas mesmas”, completa.