A bolsa de valores brasileira voltou a registrar forte queda nesta terça-feira e encerrou o pregão no menor nível desde janeiro, refletindo o aumento da aversão ao risco no mercado internacional, a alta dos juros nos Estados Unidos e o avanço das incertezas políticas no cenário doméstico. O dólar também voltou a subir e fechou novamente acima da marca de R$ 5.
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia aos 174.279 pontos, com recuo de 1,52%. Foi o terceiro pregão consecutivo de perdas da bolsa brasileira. Em maio, o indicador já acumula desvalorização próxima de 7% e chegou a operar abaixo dos 174 mil pontos durante a sessão.
A queda foi puxada principalmente pelas ações do setor financeiro, que possuem grande peso na composição do índice. Empresas ligadas ao setor de mineração também pressionaram o mercado após a desvalorização do minério de ferro no exterior.
Além do cenário internacional mais cauteloso, investidores passaram a demonstrar maior preocupação com o ambiente político brasileiro após novas pesquisas eleitorais e a repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O mercado também foi impactado pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira. Dados da B3 apontam retirada líquida próxima de R$ 9,6 bilhões apenas na primeira metade de maio, ampliando a pressão sobre os ativos nacionais.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de aproximadamente 0,84%, cotado a R$ 5,041. Durante a tarde, a moeda norte-americana chegou a se aproximar de R$ 5,06. Apesar da recente valorização, o dólar ainda acumula queda de 8,17% em 2026.
A valorização da moeda norte-americana ocorreu em meio ao fortalecimento global do dólar e ao aumento das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. Quando os juros americanos sobem, investidores costumam retirar recursos de mercados emergentes para direcionar aplicações a ativos considerados mais seguros.
O cenário internacional segue pressionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos preços elevados do petróleo. O barril do petróleo Brent encerrou o dia cotado a US$ 111,28, enquanto o WTI terminou em US$ 104,15.
O mercado financeiro acompanha com cautela as negociações entre Estados Unidos e Irã e os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, região considerada estratégica para o transporte global de petróleo. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump havia adiado uma ofensiva militar contra o Irã para abrir espaço a negociações diplomáticas. Nesta terça-feira, porém, voltou a afirmar que uma ação militar poderá ocorrer caso não exista acordo entre os países.
Analistas avaliam que a combinação entre juros elevados nos Estados Unidos, tensões internacionais e incertezas políticas internas continua aumentando a volatilidade dos mercados brasileiros e dificultando a recuperação da bolsa nas últimas semanas.
Foto: B3/Divulgação

