O primeiro ecossistema comercial brasileiro de inteligência artificial generativa em língua portuguesa foi lançado oficialmente nesta terça-feira em Brasília. Batizado de SoberanIA, o sistema integra uma iniciativa público-privada liderada pelo governo do Piauí com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério das Comunicações. O projeto faz parte das estratégias nacionais ligadas ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e ao programa Nova Indústria Brasil.
Segundo os organizadores, o ecossistema foi desenvolvido para compreender a linguagem institucional brasileira, além de contextos culturais, jurídicos e administrativos do país. O objetivo é reduzir a dependência de plataformas estrangeiras e ampliar o uso de tecnologias nacionais no setor público.
As ferramentas apresentadas poderão automatizar atendimentos ao cidadão, auxiliar servidores públicos na leitura e análise de documentos, apoiar professores da rede pública e facilitar processos administrativos. O sistema também foi treinado com grande volume de dados relacionados à gestão pública brasileira.
O pacote lançado possui seis produtos disponíveis imediatamente. Entre eles estão o Gov Chat, voltado ao acesso a serviços públicos por aplicativos de mensagem; o BO Fácil, destinado ao registro de boletins de ocorrência por áudio ou texto; e o Seduc IA, desenvolvido para produção de materiais didáticos personalizados para professores da rede pública.
Também fazem parte do programa os Agentes SEI, ferramenta voltada à análise inteligente de processos administrativos; o Gerador de Termo de Referência; e o módulo Acesso e Dev Kit, criado para permitir que gestores públicos desenvolvam soluções próprias com inteligência artificial.
Mais de 70 pesquisadores participaram da criação do sistema. Embora o lançamento comercial tenha ocorrido nesta semana, as soluções já estavam em operação experimental no Piauí havia mais de um ano. Agora, o modelo passa a ser oferecido para municípios, estados, autarquias e empresas estatais de todo o país.
Durante o evento, o governador Rafael Fonteles afirmou que o Brasil começa a assumir papel de produtor de inteligência artificial, deixando de depender exclusivamente de plataformas internacionais. O superintendente nacional de negócios do Serviço Federal de Processamento de Dados, Carlos Alexandria, destacou que o setor público brasileiro ainda possui forte dependência estrutural de tecnologias desenvolvidas no exterior e defendeu a criação de plataformas treinadas prioritariamente em português e adaptadas à legislação brasileira.
Foto: Governo Piauí/Divulgação

