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Por Marco Aurelio Carone

Na segunda (18), o presidente Bolsonaro fez uma apresentação para cerca de 40 embaixadores, em Brasília. Na ocasião, ele atacou sem provas as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.

Os comandantes do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, da Marinha, almirante-de-esquadra Almir Garnier Santos, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior, foram convidados para participar da reunião do presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores, no Palácio da Alvorada.

Nenhum dos três, no entanto, compareceu. Militares da ativa e da reserva ouvidos afirmaram que a ausência dos comandantes tem uma sinalização: as Forças Armadas não querem se atrelar institucionalmente ao discurso de Bolsonaro.

Apesar de admitirem que o presidente tem usado a imagem dos militares, principalmente do Exército, para passar a ideia de chancela às suas acusações infundadas de fraudes no sistema eleitoral, a orientação na caserna é tentar manter distância do embate político eleitoral.

A postura do ministro da Defesa, Paulo Sergio, que antes de assumir uma cadeira no governo ocupava o posto de comandante do Exército, tem sido vista com cautela pelo general. Na avaliação de um general da ativa, é como se Paulo Sergio tivesse “mudado de emprego”.

Apesar disso, por mais que agora ele esteja atuando conforme as vontades de Bolsonaro, ele sabe que as Forças Armadas são instituições de Estado, e não de um governo. O que se diz nos quartéis é que o próximo presidente da República, eleito em outubro dentro da normalidade democrática, terá a continência das tropas. Seja Bolsonaro, Lula ou quem sair vitorioso pelo sistema de votação eletrônico.

Em 8 de julho Novojornal noticiou que:

“Todos países democráticos estão observando atentamente o comportamento da área militar brasileira – em especial os Estados Unidos da América – em relação a campanha, e a apuração dos votos.”

Um dia após, a apresentação de Bolsonaro atacando as urnas eletrônicas, a embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou um comunicado no qual afirma que as eleições no Brasil são “modelo” para o mundo.

“As eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”, diz o comunicado distribuído pela assessoria da embaixada americana no Brasil.

No documento, o órgão afirma que está “confiante de que as eleições brasileiras de 2022 vão refletir a vontade do eleitorado” e que “à medida que os brasileiros confiam em seu sistema eleitoral, o Brasil mostrará ao mundo, mais uma vez, a força duradoura de sua democracia”.

A embaixada disse ainda que o Brasil tem “um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores”.

Íntegra do comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Brasília:

“Como já declaramos anteriormente, as eleições no Brasil são para os brasileiros decidirem. Os Estados Unidos confiam na força das instituições democráticas brasileiras. O país tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores.

As eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo.

Estamos confiantes de que as eleições brasileiras de 2022 vão refletir a vontade do eleitorado. Os cidadãos e as instituições brasileiras continuam a demonstrar seu profundo compromisso com a democracia. À medida que os brasileiros confiam em seu sistema eleitoral, o Brasil mostrará ao mundo, mais uma vez, a força duradoura de sua democracia”.

O governo do presidente norte-americano, Joe Biden, avalia divulgar uma declaração oficial de confiança nas instituições democráticas brasileiras.

Após a declaração de Bolsonaro a embaixadores estrangeiros, ministros do Tribunal Superior Eleitoral responderam as falas do presidente.

Sem citar Bolsonaro, Edson Fachin, atual presidente do Tribunal, refirmou a segurança do sistema eleitoral e disse que o debate político atual “tem sido achatado por narrativas nocivas que tensionam o espaço social”.

De acordo com a assessoria do Supremo, o Presidente do STF, Luiz Fux, se reuniu em videoconferência com Fachin e “reiterou confiança total na higidez do processo eleitoral”.

Em suas redes sociais, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que uma democracia forte se faz com “respeito ao contraditório, independentemente do tema”.

“A segurança das urnas eletrônicas e a lisura do processo eleitoral não podem mais ser colocadas em dúvida”, disse Pacheco.

Também pelas redes sociais, juízes eleitorais saíram em defesa das urnas eletrônicas.

Ontem (19), mais de 40 procuradores que atuam na área dos direitos humanos e fundamentais do Ministério Público Federal enviaram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido para que o presidente Jair Bolsonaro seja investigado por causa dos ataques, sem provas, ao sistema eleitoral do país.

Uma comitiva brasileira com representantes de 18 organizações da sociedade civil visita Washington (EUA), entre 24 e 29 de julho, com a intenção de alertar para as ameaças ao processo eleitoral brasileiro e pedir um posicionamento firme do governo americano em relação aos resultados das eleições.

A comitiva deve participar de mais de 20 reuniões com membros do Departamento de Estado Americano, deputados, senadores e representantes sociais.

“A sociedade civil segue cumprindo seu papel de alertar todos os atores sociais, nacionais e internacionais sobre as ameaças à integridade do processo eleitoral, a cada dia mais explícitas e perigosas. Iremos aos Estados Unidos denunciar os riscos à democracia no Brasil e também buscar aprendizados dos episódios ocorridos por lá que inspiram as tentativas golpistas aqui.”, avalia Flávia Pellegrino, coordenadora executiva do Pacto pela Democracia.


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