O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou qualquer irregularidade no caso das joias durante a primeira entrevista após voltar ao Brasil e disse que continua usando o mesmo relógio de sempre.

“[Os árabes] são riquíssimos e procuram agradar as pessoas. Mas eu continuo com o meu reloginho, graças a Deus, estou feliz com ele”, respondeu ele ao ser questionado sobre o alto valor dos presentes.

Ele justificou os presentes pela “amizade com o povo árabe”.

Se estão achando que isso [caso das joias] foi o que fiz errado, fico até feliz, porque não têm do que me acusar. Essas joias estão prontas para serem entregues”, afirmou. “Não quero ter uma joia em casa com esse preço, quem pode usar uma joia desse e sair na rua Brasil afora?”

Bolsonaro afirmou que todos os presentes foram devidamente registrados. “Há a matéria porque está cadastrado. Quem classifica se é acervo pessoal ou público não sou eu, tem pessoal lá na Presidência que são servidores de carreira que classificam.

Na lei diz que eu posso usar, mas não posso vender. Como criou-se um problema, está à disposição.”

Ex-presidente ganhou Rolex cravejado de diamantes. Em viagem ao Qatar em 2019, ele recebeu pessoalmente um conjunto com o item, abotoaduras, caneta e um masbaha (rosário islâmico), todos adornados com pedras preciosas. Os itens ficaram com ele ao final do mandato, de acordo com o Estadão.

Ele ordenou que itens fossem levados para acervo privado. Ainda segundo o jornal, há documentos que comprovam a ordem e que, posteriormente, as joias foram encaminhadas ao gabinete da Presidência.

Ontem, o TCU determinou que Bolsonaro devolva o kit que inclui o Rolex. Uma decisão anterior do Tribunal já havia dito que o ex-presidente não podia ficar com outras joias, já que, para ser considerado patrimônio privado do presidente, o item teria de ser “de uso personalíssimo” e de baixo valor, o que não é o caso.

Tribunal alertou que, caso haja mais joias, elas devem ser devolvidas ‘imediatamente’.

Cabe alerta deste Tribunal ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro que, caso existam outros presentes recebidos do governo da Arábia Saudita, estes deverão ser restituídos imediatamente, sob pena de sanção em face do descumprimento de decisão desta Corte”, diz a decisão do ministro Augusto Nardes.


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