O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira (18), após ter sido internado na tarde de terça-feira em um hospital de Brasília devido a uma crise de soluços e episódios de vômito. Bolsonaro, condenado na semana passada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a vinte e sete anos e três meses de prisão pelos crimes de golpe de Estado e outros quatro delitos, retornou para sua residência, onde cumpre prisão domiciliar preventiva desde agosto. Durante a internação, o ex-presidente também passou por procedimento para retirada de duas lesões de pele cancerígenas.
O cirurgião Cláudio Birolini, responsável por acompanhar a saúde de Bolsonaro, explicou que a internação foi motivada por um mal-estar súbito. “Estava em casa à tarde e teve um mal-estar súbito, queda de pressão, taquicardia, tontura, o que chamamos de pré-síncope”, afirmou. Segundo ele, Bolsonaro apresentou melhora dos sintomas e da função renal após receber hidratação e medicação intravenosa.
Birolini revelou ainda que exames realizados no domingo identificaram a presença de câncer de pele em duas das oito lesões removidas para análise. “Duas das lesões retiradas vieram positivas de um tipo de tumor que é o carcinoma de células escamosas, que não é o mais bonzinho e nem o mais agressivo, é um intermediário. Ainda assim, é um tipo de câncer de pele que pode ter consequências mais sérias”, explicou. As lesões estavam localizadas no tórax e em um dos braços.
De acordo com o médico, a retirada dessas lesões já é considerada cura, não sendo necessário tratamento complementar, apenas acompanhamento periódico. Bolsonaro está com curativos e pontos, que deverão ser retirados em aproximadamente duas semanas, quando será reavaliado pela equipe médica. Birolini destacou que o ex-presidente possui várias lesões na pele devido à exposição solar acumulada ao longo dos anos.
O boletim médico apontou que Bolsonaro chegou à emergência do Hospital DF Star desidratado, com pressão arterial baixa e frequência cardíaca elevada. Exames mostraram persistência de anemia e alteração da função renal, com elevação da creatinina.
Os problemas intestinais e os episódios de soluços de Bolsonaro, consequências do atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, devem embasar um pedido de sua defesa para que a pena permaneça sendo cumprida em regime domiciliar.
Um aliado próximo relatou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está preocupada com a saúde do marido, principalmente quanto à disciplina necessária para a administração correta de suas medicações, essenciais para sua digestão. Atualmente, Bolsonaro recebe auxílio da esposa e de familiares para seguir os horários dos remédios.
O boletim médico que confirmou a alta hospitalar destacou: “O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi admitido no Hospital DF Star na tarde do dia dezesseis de setembro, devido a quadro de vômitos, tontura, queda da pressão arterial e pré-síncope. Apresentou melhora dos sintomas e da função renal após hidratação e tratamento medicamentoso por via endovenosa. O laudo anátomo-patológico das lesões cutâneas operadas no domingo mostrou a presença de carcinoma de células escamosas “in situ”, em duas das oito lesões removidas, com a necessidade de acompanhamento clínico e reavaliação periódica. Recebe alta hospitalar, mantendo o acompanhamento médico.”
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

