Teve início nesta quarta-feira (30), na cidade de George, na África do Sul, a Reunião de Ministros do Trabalho e Emprego do G20. O evento reúne autoridades, representantes de organismos internacionais, especialistas e parceiros sociais para discutir soluções práticas para os atuais desafios do mundo do trabalho.

Na abertura, o ministro do Trabalho e Emprego do Brasil, Luiz Marinho, reafirmou o compromisso do governo com uma agenda internacional voltada à justiça social. Como integrante da Troika do G20 — grupo formado pelo país que sediou a reunião anterior (Brasil, em 2024), o atual anfitrião (África do Sul, em 2025) e o próximo presidente do grupo (Estados Unidos, em 2026) — Marinho discursou na sessão inaugural.

O Brasil está comprometido com uma governança global que enfrente as desigualdades e que coloque o ser humano no centro das decisões”, afirmou o ministro. “A justiça social deve ser a base para qualquer projeto de desenvolvimento”, acrescentou. Ele destacou como prioridades do Brasil a valorização do salário mínimo, o combate à fome e a inclusão produtiva da juventude.

Como disse o presidente Lula, não podemos admitir que a tecnologia, a globalização e as transições verde e digital deixem milhões para trás. É hora de um novo pacto social global, que una crescimento econômico com inclusão”, declarou Marinho. “Não há crescimento sustentável sem inclusão. Não há transição justa sem proteção ao trabalhador. E não há justiça social sem regulação e financiamento”, reforçou.

A anfitriã do encontro, a vice-ministra do Emprego e Trabalho da África do Sul, Judith Nemadzinga-Tshabalala, deu as boas-vindas aos delegados com um discurso enfático: “Reunimo-nos aqui hoje como guardiões de uma responsabilidade compartilhada: enfrentar as injustiças que persistem no mundo do trabalho e abrir caminhos rumo à inclusão, à dignidade e à prosperidade compartilhada.”

Ela lembrou que este ano marca os 70 anos da Carta da Liberdade, documento simbólico das aspirações democráticas sul-africanas, e reafirmou os pilares da presidência do país no G20: Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade. Judith elencou quatro prioridades: crescimento inclusivo com foco na juventude; igualdade de gênero no trabalho; reversão da queda da participação da renda do trabalho; e digitalização como ferramenta de inclusão. “Essas prioridades não são meros compromissos conceituais, mas a base para um progresso real e mensurável”, afirmou.

O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo, alertou para o agravamento das desigualdades globais, que comprometem direitos humanos, acesso a serviços essenciais e proteção social. “Não é mais possível dissociar desenvolvimento econômico da justiça social. Sem trabalho decente, não haverá futuro sustentável”, disse.

Houngbo elogiou a presidência sul-africana por colocar as pessoas no centro das decisões econômicas. “A abordagem de vocês é clara: o crescimento deve servir à dignidade humana. E isso começa com salários justos e instituições sólidas de diálogo social”, afirmou. Ele também criticou a desconexão entre produtividade e remuneração, defendendo o fortalecimento das políticas de salário mínimo como ferramenta de combate à desigualdade.

“A OIT está pronta para apoiar os países do G20 em uma transição justa, digital e ecológica, que não abandone os trabalhadores nem os mais vulneráveis. Precisamos reconstruir o contrato social sobre os pilares do trabalho decente, da equidade e da solidariedade”, concluiu.

Foto: Registro MTE


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