Mais de 40 prefeitos do Ceará pediram desfiliação do PDT após reunião com o senador Cid Gomes (PDT-CE), presidente estadual do partido, em meio a uma disputa interna do parlamentar com o irmão Ciro Gomes (PDT).

O Ceará, terra dos Gomes, é o principal reduto do partido, e Cid conseguiu na Justiça retomar o controle local na semana passada. Ele havia sido destituído por votação pela executiva nacional do PDT.

Os dois irmãos divergem em relação à parceria com o PT no Ceará. Segundo a reportagem apurou, Cid é a favor da aliança, e Ciro, contra. Ambos estão brigados desde as eleições de 2022.

Entre os dissidentes está Ivo Gomes, prefeito de Sobral, berço político da família Gomes, e irmão mais novo dos dois. A assessoria do prefeito confirmou sua saída ao UOL e disse que ele vai acompanhar Cid, que também vem ameaçando deixar o partido.

O pedido de desfiliação em massa ocorreu após uma assembleia partidária realizada por Cid em Fortaleza ontem (14). Ao todo, 43 prefeitos decidiram deixar o partido e uma nova reunião foi marcada para o início de dezembro para tomar novas providências.

A mudança se dá em um momento estratégico para as eleições municipais de 2024. O Ceará segue sendo o reduto do PDT — exatamente por causa da força da família Gomes —, e o partido pretendia manter esta liderança local.

Grande parte desse grupo, como Cid e Ivo, tem o PT em sua base e apoia o governador petista Elmano de Freitas — é esperado que alguns se filiem ao partido do presidente Lula. Entre os dissidentes está o secretário do Desenvolvimento Econômico de Elmano, Salmito Filho, deputado estadual licenciado.

Embora já tenha ameaçado deixar o PDT em outros momentos, Cid ainda não pediu desfiliação. Segundo pessoas próximas ao partido, isso é só questão de tempo.

Cid e Ciro ficaram mais de um ano sem se falar após a briga durante a eleição do ano passado. Por pressão do ex-presidenciável, a executiva nacional do PDT interferiu na presidência local no final de outubro e destituiu o senador da presidência cearense.

Cid retomou a direção do PDT-CE só na última sexta (10), por decisão do TJ-CE (Tribunal de Justiça do Ceará), que considerou a medida ilegal. Restituído, Cid chefiou a debandada, que deverá acarretar à sua própria saída.

A nova briga entre os dois teria mais uma vez desaguado na possível aliança entre o PDT e PT no estado. Cid é a favor que os petistas componham a chapa à reeleição do prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT). Ciro, rachado definitivamente com o PT e com Lula, é contra.

Isso já havia ocorrido no ano passado. Aliado do ex-governador e hoje ministro da Educação Camilo Santana (PT), Cid articulava para que sua vice, Izolda Cela (então no PDT), concorresse à reeleição com o PT na chapa. O senador havia sido o avalista para união com Camilo, popular no estado.

Ciro bateu o pé e, em eleição do diretório nacional, encabeçou o nome do ex-prefeito Roberto Cláudio como candidato do PDT no estado. Insatisfeito, o PT lançou Elmano, deputado estadual, aos 45 de segundo tempo e Izolda, ainda governadora, deixou o partido para apoia-lo. Os dois irmãos racharam.

Elmano foi eleito no primeiro turno, com o apoio da aliança Camilo-Izolda-Cid, e Roberto Cláudio ficou em terceiro, com 14% dos votos.


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