O boletim semanal InfoGripe, divulgado nesta quarta-feira (12) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, alerta que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em 2025 já supera os totais observados nos últimos dois anos. O crescimento expressivo é motivo de atenção, principalmente nas regiões centro-sul do país.

Segundo o boletim, nas últimas quatro semanas o número de casos quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, apresentando um aumento de 91%. A maior parte das hospitalizações por SRAG tem sido causada pelos vírus influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Algumas unidades da federação, como Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e o Distrito Federal, apresentam sinais iniciais de estabilização ou queda no número de casos. Contudo, mesmo nessas regiões, a taxa de hospitalizações por SRAG permanece elevada. A análise corresponde à Semana Epidemiológica 23, entre 1º e 7 de junho.

A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, destaca que o vírus influenza A continua sendo o principal causador de SRAG em todas as faixas etárias, com impacto maior entre idosos. Já o VSR é a principal causa de internações entre crianças. “Por isso, a gente reforça a importância da vacinação contra a gripe. Essa é a principal forma de prevenir casos graves e óbitos. Com uma boa cobertura vacinal, conseguimos diminuir esse número de hospitalizações no país”, enfatizou. Tatiana também recomenda o uso de máscaras em unidades de saúde e ambientes fechados com grande circulação de pessoas, no caso de sintomas gripais.

Os dados mostram que os casos de SRAG em crianças pequenas associados ao VSR ainda seguem em crescimento em grande parte do país. Contudo, há sinais de interrupção ou início de queda em regiões do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás), Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e Norte (Acre), embora os níveis ainda sejam altos.

Entre os idosos, o aumento de casos tem sido observado em Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Já entre jovens e adultos, cidades como Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Porto Velho, Rio de Janeiro e São Luís apresentam tendência de crescimento.

Nas últimas quatro semanas, a prevalência entre os casos positivos foi de 40% para influenza A; 0,8% para influenza B; 45,5% para VSR; 16,6% para rinovírus; e 1,6% para Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, os dados foram: 75,4% para influenza A; 1% para influenza B; 12,5% para VSR; 8,7% para rinovírus; e 4,4% para Covid-19.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


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